Biógrafo do professor e político Carlos Boos, de Guabiruba, o escritor e editor Saulo Adami, 58 anos, vai lançar em setembro seu livro de número 150, que tem como tema a dramaturgia. “Teatro Possível” (Curitiba: Estrada de Papel, 2023) reúne em suas 252 páginas peças teatrais, monólogos e esquetes que escreveu entre 1980 e 2021, algumas em coautoria. Além disso, apresenta uma revisão completa de sua carreira no teatro amador de Santa Catarina, participações em festivais nacionais e internacionais em Blumenau e Teresina, no Piauí.
Com textos adicionais da psicóloga Jeanine Wandratsch Adami e do colaborador Pedro Bins, o livro tem projeto gráfico de Rogério Marcos Lenzi. Em novembro, Curitiba vai conhecer seu texto inédito, “Fênix – O Lutador”, que vai marcar sua estreia no teatro profissional do Paraná, com interpretação do ator paranaense Jota Eme.
Saulo Adami escreve desde 1974 e montou sua primeira peça teatral em 1975. Participou de grupos teatrais, teve sua própria produtora, e ao longo dos últimos 48 anos participou de mais de 30 espetáculos. Algumas peças que escreveu, produziu ou dirigiu foram indicadas para prêmios nacionais, a exemplo de “Nada de Love Story” (1995) e “Paredes de Lona Sem Brilho” (1996), representantes de Santa Catarina no Concurso Nacional de Monólogos Atriz Ana Maria Rego, em Teresina, Piauí. Entre os textos integrais presentes neste livro estão: “Paredes de Lona Sem Brilho” (1988), sua peça com o maior número de montagens; “O Pastor” (1980), texto infanto-juvenil em coautoria com Pedro Bins – que foi delegado de polícia em Guabiruba; “Porões da Liberdade” (1987), montada em 1994 com participação do autor guabirubense Marcelo Carminati; “Nada de Love Story” (1988), monólogo com personagens criados por ele e Wilson Silva; e “Fênix – O Lutador”, escrito a partir de argumento dele e de Jota Eme, ator que milita no teatro profissional de Curitiba há décadas.

Saulo Adami e o ator paranaense Jota Eme, que vai estrear em novembro a peça “Fênix – O Lutador”. Fotografia de Saulo Adami.
Como foi a experiência de montar o primeiro espetáculo, aos dez anos de idade?
Durante vários anos, procurei trazer o exercício de fazer teatro para dentro da minha vida. Os primeiros textos que escrevi foram montados em companhia dos colegas de escola, em Itajaí. Ninguém se importava se havia um palco, se havia iluminação ou sonoplastia; o que nós queríamos era escrever e apresentar. Era o tempo em que o mais importante era fazer acontecer, não importavam as dificuldades, a falta de recursos… Fui crescendo e ficando mais exigente, escrevendo mais e melhor, participando de grupos teatrais, até passar a escrever e dirigir mais do que interpretar.
Foi difícil parar com a produção de teatro, em 1996?
Foi difícil mais, ao mesmo tempo, foi libertador. Assim que terminei a representação de Zé Pinha no monólogo “Paredes de Lona Sem Brilho – A Empreitada”, no Teatro do Boi, em Teresina, esperei que as luzes da plateia fossem novamente acesas para confessar à plateia que eu “não era ator” e que estava lá “defendendo meu texto” porque o ator escalado para o papel não quisera seguir com o projeto. “Vim até aqui defender a minha criação”, eu disse. Recebi os aplausos, agradeci e fui para o camarim me despedir do personagem. Naquela semana, coordenei a Oficina de Textos Teatrais que, ao final de uma semana, resultou na montagem da comédia “Morte Aparente” (1996), apresentada como espetáculo de encerramento do festival, com participação especial da atriz Ana Maria Rego. Ela dava nome ao festival de teatro, mas não atuava havia 30 anos. Aquela foi sua última peça como atriz, e minha última peça como diretor e produtor, 21 anos depois de subir ao palco pela primeira vez.
Então, foi uma boa despedida, na sua visão?
Foi perfeita. Embora tenha dado ponto final no meu trabalho como diretor e produtor de teatro, continuo inspirado, percorrendo a estrada da criação. Tenho vários textos que escrevi para teatro a partir do final da década de 1990, que aguardam convite para montagem. Durante a pandemia do coronavírus, escrevei “Fênix – O Lutador”, a convite do ator Jota Eme. Esta peça está em fase de pré-produção em Curitiba, com estreia marcada para 24 de novembro, no Teatro Guaíra. Eu estarei na plateia, se Deus quiser!
Depois de “Teatro Possível”, qual será o próximo livro?
Tenho alguns prontos, dentro da proposta de publicar coletâneas. Já saiu em fevereiro “A Chuva na Cidade”, de crônicas; em julho, “Cidade Schneeburg – Crônica História de Brusque”, que também contempla Guabiruba; “Inteiro Em Pedaços”, contos escritos entre 1980 e 2022. E teremos ainda coletâneas de novelas, pequenos romances, e até um livro com a produção de filmes documentários, “O Dirigível”, programados para 2024. A sexta edição do romance “Kuranda”, escrito em Guabiruba em 2008, e o primeiro de uma série de livros de viagem que traduzi, escritos por autores dos séculos XVIII e XIX.

“Teatro Possível” (Estrada de Papel, 2023) sintetiza 48 anos da carreira teatral de Saulo Adami. Capa de Rogério Marcos Lenzi.












