A Câmara de Vereadores de Guabiruba sediou, nesta quarta-feira (4), o lançamento oficial da 25ª edição do espetáculo Paixão e Morte de um Homem Livre. O evento reuniu membros da organização, elenco e autoridades locais para apresentar os detalhes da produção que, realizada a cada dois anos pela Associação Artística Cultural São Pedro, é considerada um dos principais marcos do calendário cultural do município.
Estrutura e novidades na narrativa
A montagem da estrutura que abrigará a encenação teve início no dia 12 de janeiro e terá uma área total de 620 metros quadrados, localizada no pátio da Igreja São Cristóvão, no bairro Aymoré. Nesta edição especial, a narrativa será conduzida pelos Três Reis Magos (Gaspar, Belchior e Baltazar). Segundo o diretor teatral Marcelo Carminati, a proposta difere de anos anteriores, onde apenas um personagem narrava a peça. O espetáculo promete ainda interações com o público e cenas inéditas.
Durante a cerimônia, o presidente da Associação Artística Cultural São Pedro, Arisson Sérgio Kohler, relembrou a trajetória da montagem. “Chegamos à 25ª edição do Paixão e Morte de um Homem Livre. Um evento que nasceu lá em 1981, de um pequeno movimento de grupo de jovens que se juntavam no Salão Cristo Rei, e que teve continuidade em 1986 na Comunidade São Pedro. Desde lá foi crescendo, até que em 1997 a Comunidade São Cristóvão nos acolheu”, destacou.

Renovação do elenco e impacto cultural
O Diretor Teatral Marcelo Carminati explicou que, diferentemente das outras edições, a narração será feita por três personagens: Gaspar, Belchior e Baltazar. Sobre o grupo de atores, ele ressaltou o desejo de inovação. “Temos um elenco maravilhoso e para essa edição resolvemos fazer uma grande mesclagem, oportunizando que pessoas que sempre desempenharam algum tipo de papel tenham a oportunidade de ter vez e voz, experimentando novos papéis, enfrentando novos desafios, para que essas pessoas possam também ter a oportunidade de crescer dentro da peça. Nessa edição teremos cinco atores adultos que interpretarão Jesus”, afirmou.
A relevância turística e a persistência da organização foram enfatizadas por Jenifer Schlindwein, superintendente da Fundação Cultural de Guabiruba. “Vocês merecem os parabéns por estarem persistindo e executando com maestria [o espetáculo] há 25 edições, sempre aprimorando, encontrando inovação, buscando formas de ser interessante para o público e contribuindo para o turismo cultural da cidade. As pessoas reconhecem Guabiruba pelo espetáculo”, celebrou.
O prefeito Valmir Zirke reforçou que o sucesso do evento se deve à capacidade de surpreender o público. “A gente já conhece a história, mas vocês surpreendem a cada edição com algo diferente. Se estamos completando 25 edições é porque está sendo um sucesso”, disse o prefeito, que aproveitou para sugerir que o evento mude para o Parque Municipal Vereador Érico Vicentini nas próximas edições. “Quero deixar um convite para daqui a dois anos, que possamos levar o evento para o parque municipal. Não vai faltar investimento, podem ter certeza. Lá no Aymoré já está ficando pequeno para um evento deste tamanho”, disse.
O apoio do Legislativo também foi registrado por Alexandre Felipe Pereira, Presidente da Câmara de Vereadores. “É uma alegria para a Câmara Municipal ser parceira do evento. Gostaria de dizer o quão rico e honrado é o povo guabirubense de viver em uma cidade que tem uma riqueza cultural enorme. Guabiruba se destaca na nossa região e no nosso estado como uma das cidades que mais se mantém no topo quando se fala de cultura”, afirmou.
Experiência do elenco
Após a cerimônia, integrantes do elenco compartilharam detalhes da preparação em entrevista ao Zeitung.
Carlos Miguel Schefer Kormann, que assumirá o papel de Pôncio Pilatos, relembrou sua jornada na peça. “Venho participando desde 2015 em vários papéis, tanto com fala como sem fala. Nos últimos quatro espetáculos eu tive falas de vários personagens diferentes, como soldado, homem da corte, participei também da flagelação de Jesus, e esse ano eu tenho o papel de Pôncio Pilatos, um papel bem importante na história”, contou ao Zeitung.

Sobre a preparação para o novo desafio, Carlos Miguel explicou: “Todo papel é uma grande responsabilidade, mas com o passar do tempo a gente vai adquirindo mais experiência. O Marcelo ajuda muito nessa parte, com muita explicação, muitos vídeos, para que seja feito da forma mais leve possível”. Ele ainda descreveu o sentimento de participar do espetáculo. “É um sentimento de gratidão. É a história do homem mais conhecido e importante de toda a humanidade. Fazer parte desse espetáculo é sempre uma honra e um privilégio. A cada edição é uma emoção diferente, uma experiência e um aprendizado diferentes. A gente espera que consiga transmitir o que realmente importa, que é a mensagem da história de Jesus, de tudo que ele fez, de tudo que ele sofreu”, finalizou.
Camila Louisa Gomes Baron, que interpretará Cláudia Prócula, esposa de Pôncio Pilatos, também revelou sua emoção ao Zeitung. “Minha expectativa é muito boa, estou muito emocionada em fazer o papel de Cláudia. Já é minha quarta edição participando. Espero que a gente possa passar para o público que irá nos assistir, um pouquinho daquilo que Jesus vivenciou, daquele amor que ele tanto sentiu por nós”, concluiu.

Décadas de história e fé
O Diretor Teatral e dramaturgo, Marcelo Carminati, também conversou com o Zeitung e relembrou sua longa trajetória na produção. “Falar de Paixão e Morte é realmente falar de uma paixão. Estou na peça desde 1986, quando interpretei pela primeira vez Jesus Cristo e depois vim interpretando diversos papéis, inclusive como diretor e dramaturgo”, contou. Para ele, o espetáculo é uma expressão cultural muito forte de Guabiruba que impressiona até nomes conhecidos nacionalmente. “Quando recebemos Francisco Cuoco, Luciano Szafir e Júlio Rocha, eles ficaram encantados com o voluntariado, com a qualidade dos nossos atores, com a qualidade do nosso figurino e de tudo que acontece lá. As coisas que são feitas para o espetáculo não são feitas de qualquer jeito. Tem muita dedicação, muita pesquisa, muito amor e isso é notório quando a gente apresenta”, destacou.
Carminati ressaltou ainda o envolvimento emocional da comunidade com o projeto que já atravessa décadas. “Quando as pessoas falam de Paixão e Morte de um Homem Livre sempre falam com os olhos brilhando, porque elas carregam dentro de si toda essa história. Não só a história de Jesus Cristo, mas a história do trabalho que é desenvolvido há 40 anos”. Segundo o diretor, a essência da montagem permanece fiel às suas origens. “É motivo de orgulho para Guabiruba, de forma cultural, mas também de fé. Um dos objetivos iniciais da peça era de fazer arte evangelizando. A gente permanece com essa ideia, para sempre poder levar mais adiante a mensagem de Jesus Cristo de uma forma nova, bonita e atraente”, concluiu.
Serviço
O espetáculo acontece no pátio da Capela São Cristóvão, no bairro Aymoré.
No dia 2 de abril (quinta-feira santa), o início será às 20h30. No dia 3 de abril (sexta-feira santa), a apresentação começa às 19h30.
Os ingressos serão vendidos pelo aplicativo Pedidos 10, custando R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 25 (solidário, mediante doação de 1kg de alimento).





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