A sessão ordinária da última terça-feira (7) na Câmara Municipal de Guabiruba foi marcada pela retomada dos debates acerca do Requerimento nº 6/2006. O documento, que solicitava informações detalhadas sobre o Parque Municipal, foi rejeitado há duas semanas por 5 votos a 4, gerando desdobramentos que ainda repercutem no Legislativo. O ponto central da discussão nesta semana foi a reação de vereadores da oposição a um vídeo publicado nas redes sociais pelo vereador Anderson Luiz Cavichioli (PP), no qual ele apresentava justificativas para o voto contrário da bancada de situação.
A vereadora Eduarda Schweigert (MDB) abriu o tema na tribuna, relatando que a negativa do requerimento continua sendo pauta entre os moradores. “Vou trazer de novo à tona o requerimento que foi reprovado nessa casa, e que por onde eu passei as pessoas me questionam sobre isso”, afirmou. A parlamentar admitiu que o documento continha diversos questionamentos, mas defendeu que o papel de triagem não deveria ser da Câmara. “Eu sei que tivemos algumas perguntas sem necessidade, mas eu acho que essas perguntas deveriam ser discutidas pelo executivo e não por essa casa”, pontuou.
Críticas ao posicionamento
O tom da cobrança foi elevado pelo vereador Justavo Barroso e Silva (PODE), que demonstrou insatisfação com a forma como a situação tem tratado o pedido de transparência. “Nós não vamos deixar brechas para que vocês blindem aquilo que talvez a população não possa saber. Eu estou aqui representando o povo dessa cidade”, declarou o vereador. Justavo citou diretamente o vídeo publicado pelo colega de parlamento após a última sessão. “Além de ter o requerimento negado, ainda tivemos um vereador indo nas redes sociais dizer: ‘vou falar a verdade que ninguém está contando’. Eu não sei que mentira foi falada. Nós só pedimos um requerimento”, questionou.

Para o parlamentar do Podemos, as explicações sobre o Parque Municipal deveriam seguir o rito oficial entre os poderes. “Que venha até essa casa alguém responsável do setor e responda como foi respondido em rede social, mas responda alguém do executivo”, cobrou, acrescentando que “nós vereadores temos que fiscalizar, e não blindar, para que não chegue ao rei”.
Na mesma linha, o vereador Osmar Vicentini Filho (PL) relatou ter sido abordado por cidadãos que assistiram ao vídeo de Anderson Luiz Cavichioli. “As pessoas nos cobraram lá fora e acompanharam o vídeo que o vereador Anderson publicou na redes sociais. A pergunta deles é simples: por que não veio do executivo essa resposta? Só isso”, resumiu o parlamentar durante o uso da palavra livre.
Contraponto
O presidente da Câmara, Alexandre Felipe Pereira (PP), utilizou seu tempo na tribuna para rebater as críticas da oposição, classificando a insistência no assunto como improdutiva. “Já se passaram duas semanas que esse requerimento foi negado, tempo suficiente para buscar outros mecanismos, Ministério Público, tantas outras coisas. Não sei se falta assunto na pauta dos colegas vereadores que aqui me antecederam e de novo voltaram a esse tema, ou se o intuito é politizar alguma coisa. Ficar ruminando o passado não leva a lugar nenhum”, disparou.
Alexandre defendeu que as publicações individuais de cada vereador devem ser respeitadas. “Nós temos tanta coisa para resolver para o nosso município, tanta coisa para atender a população, e mais uma vez vir trazer à tona esse requerimento, é algo que está parecendo ser particular. E quando se direciona para o depoimento de vereador A, vereador C, isso é particular de cada. Muitas vezes eu não concordo com colocações que são feitas aqui, mas sempre existe o respeito”, afirmou o presidente, completando que “é difícil ficar citando… ‘Ah, porque o vereador se posicionou nas suas redes sociais, isso e aquilo. Respeito acima de tudo”.
O presidente ainda sugeriu que o movimento da oposição tem contornos eleitorais. “O que está começando a acontecer agora, infelizmente, está parecendo uma birra política. Vir aqui 15 dias depois do que já foi votado, é querer esquentar café frio, fazer política em cima de algo que já passou”, disse, criticando a ausência dos colegas em atos oficiais: “Poderiam ter ido lá participar da inauguração do Centro Multidisciplinar, não estavam. Mas se preocupam em trazer coisas que já foram deliberadas para criar burburinho na imprensa, na população”.
“Tive minha honra ofendida”
Alvo das críticas da oposição por conta de sua publicação na internet, o vereador Anderson Luiz Cavichioli (PP) também utilizou a tribuna para se manifestar. Em um tom de conciliação, ele afirmou prezar pelo respeito mútuo. “Ouvi os comentários de todos os vereadores, respeito como sempre respeitei a todos e de alguma forma até peço desculpas se ofendi algum vereador, não foi o meu objetivo, mas eu sempre falei que quando entrei para a política, entrei como um técnico. Eu não sou político e pago um preço caro por isso”, declarou.
O parlamentar admitiu o desgaste causado pela votação nas últimas semanas, mas reiterou que seguiu suas convicções no momento da decisão. “Talvez hoje eu poderia pensar: devia ter votado a favor desse requerimento, estava evitando duas semanas de incomodação na minha vida. Mas foi um posicionamento pessoal meu”, revelou. Sobre o vídeo que motivou o debate, Anderson justificou que a intenção foi levar clareza à comunidade: “Muitas pessoas vieram me falar: Anderson, obrigado por esclarecer, porque a gente não tinha a compreensão do que estava sendo colocado em pauta”.
Ainda em sua fala, o vereador propôs uma solução para que o impasse sobre a transparência do Parque Municipal seja resolvido. “Espero que a gente possa colocar uma pedra em cima disso. Digo para os colegas vereadores de oposição, que, se o requerimento é para buscar licenças ambientais, dos serviços que estão sendo executados, se vocês quiserem na terça-feira apresentar um requerimento com as informações que não estavam ali, eu até assino junto”, sugeriu.
Anderson finalizou reforçando que a negativa anterior não foi uma tentativa de esconder dados públicos, e desabafou sobre ataques pessoais que sofreu fora do plenário. “Deixei muito claro que tive esse posicionamento por entender que alguns itens não eram cabíveis, mas de forma nenhuma queremos ocultar informações. Tive que escutar até que sou uma pessoa vendida. Tive minha honra ofendida nos últimos dias por conta disso. Posicionamentos pessoais cada um tem o seu. Eu tive o meu e se eu enquanto vereador não puder me posicionar, talvez eu esteja no lugar errado”, concluiu.
Assista ao vídeo publicado pelo vereador:
Repercussão pós-sessão
Após o encerramento dos trabalhos, os vereadores mantiveram suas posições. Em entrevista à imprensa, Justavo Barroso e Silva reforçou sua decepção com o desfecho do caso. “Fique triste com o que ouvi. Nós como vereadores, viemos buscar aquilo que o povo nos pede: transparência. O parque, por ser público, tem que ter transparência”, disse. Ele rebateu críticas sobre a qualidade técnica do requerimento, afirmando que buscou auxílio externo. “A pessoa que tem um mínimo de conhecimento, dizendo que nós não temos capacidade para fazer o requerimento. Eu confesso que não tenho, mas tenho pessoas lá em Florianópolis, pessoas do meio ambiente, que me orientaram e que fizeram para mim esse requerimento para ser apresentado na tribuna”.
Justavo também voltou a questionar a narrativa do vídeo da situação. “Primeiro negam. A repercussão negativa na mídia foi enorme. Quando a câmara nega um pedido de informação, ela está negando um pedido da população. E, depois, você vir nas redes sociais dizer ‘a verdade que ninguém está falando’? Então, até aquele vídeo, tudo que a mídia falou, tudo que nós falamos, foi mentira? Esse é o meu questionamento”, concluiu, apontando contradições: “Na tribuna foi dito que ele via isso mais como um ato político do que como um ato de transparência. E no vídeo, ele cita que não vê aquilo como um pedido político”.
Por outro lado, o presidente Alexandre Felipe Pereira reiterou que a decisão da maioria se deu por falhas no próprio documento apresentado anteriormente. “Mais uma vez os vereadores de oposição trouxeram à tona o requerimento que foi negado e que já haviam sido pontuados os motivos e critérios. Os excessos e pedidos que não têm cabimento. Coisas que não são cabíveis ao parque”, explicou.
Para o presidente, o assunto está encerrado no âmbito do Legislativo. “Nós respeitamos e eu entendo a oposição. A ideia deles é fiscalizar, de fato. Mas nós votamos porque cometeram não apenas um excesso, mas diversos excessos naquele requerimento. É uma matéria que já foi debatida, já foi votada, já não tem mais o que fazer aqui. Já se passaram 15 dias. Os vereadores poderiam ter buscado outros órgãos públicos, Ministério Público, IMA, Tribunal de Contas, para buscar respostas, se acham que tem algo errado. Mas o que me parece é que está virando novamente uma politicagem desnecessária”, afirmou Alexandre.
O parlamentar encerrou reforçando o descontentamento com a postura da oposição em relação às ações do governo municipal. “Muitas vezes quando o município inaugura uma obra, quando traz melhorias, esses vereadores não participam, não fazem questão de pontuar o que vem acontecendo de bom na cidade. Muitas vezes só trazem o que está errado, só trazem coisas que já aconteceram e ficam ruminando o passado diversas vezes para fazer politicagem. Esse não é o intuito da Câmara Municipal. Se desejam buscar respostas, busquem o Ministério Público, o IMA, o Tribunal de Contas. Aqui na Câmara o assunto já foi debatido, já foi votado e negado”.













