O guabirubense acordou com um gosto amargo na boca neste mês de abril, e não foi só por causa da má qualidade da água que sai de nossas torneiras. O anúncio do reajuste de 13,15% nas tarifas de água e esgoto, oficializado pela Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (AGIR) e pela concessionária Guabiruba Saneamento, terá um impacto severo no planejamento das famílias, principalmente as mais vulneráveis. Para quem olha o vizinho Brusque então, onde o reajuste foi de modestos 3,36%, a pergunta é inevitável: por que aqui o boleto pesa quase quatro vezes mais?
Para entender essa conta, precisamos olhar pelo retrovisor e, sejamos honestos: vivemos por anos sob o jugo de uma “herança maldita”. O período em que a CASAN operou em Guabiruba foi marcado por um sucateamento sistêmico. O sistema não era apenas mal gerido; ele estava em coma. Enquanto a cidade crescia, a infraestrutura apodrecia. A saída da estatal e a chegada da concessão privada não foram uma escolha entre o ruim e o bom, mas entre o colapso e a sobrevivência.
Nesse cenário, os investimentos realizados nos últimos tempos — como o aumento de 130% na capacidade do sistema — são a “limonada” possível feita com um limão extremamente azedo. O problema é que o açúcar dessa limonada está custando caro demais. O reajuste atual não é apenas inflacionário; ele carrega uma Revisão Tarifária Ordinária (RTO) de 8,29%, um mecanismo técnico para pagar as obras que não foram feitas no passado. Ou seja: o cidadão de 2026 está pagando a conta do descaso acumulado de décadas. É o preço do tempo perdido.
Dito isto, é necessário pontuar com clareza: embora o investimento seja necessário, a forma como esse processo foi conduzido demonstra que as partes envolvidas pisaram feio na bola. Onde estava a transparência? Onde estava o aviso prévio? É inadmissível que os representantes do povo na Câmara de Vereadores tenham tomado conhecimento desse índice pelas “páginas” do Guabiruba Zeitung — que, diga-se de passagem, está fazendo uma excelente cobertura do caso — e não por um comunicado oficial e detalhado da concessionária ou da agência reguladora. A regulação pode até ser técnica, mas o serviço é essencial e, portanto, de cunho social. Tratar um aumento de dois dígitos como uma mera atualização de planilha, sem o devido debate público e sem escalonamento, é um erro estratégico e um desrespeito com o contribuinte.
Não dá para simplesmente “enfiar de goela abaixo” essa bigorna tarifária. O equilíbrio econômico do contrato é importante, mas o equilíbrio do bolso do cidadão é ainda mais vital. É preciso discutir alternativas de diluição desses custos. Não se resolve um atraso de vinte anos punindo o consumidor em doze meses!
Por fim, é preciso fazer justiça aos fatos e parabenizar a postura dos vereadores, especialmente o bloco de oposição. O trabalho fiscalizatório tem sido excelente. Os parlamentares não se omitiram: cobraram explicações da AGIR, confrontaram a concessionária no plenário e deram voz à indignação que corre pelos bairros de Guabiruba. Enquanto alguns optaram pelo silêncio estratégico, a fiscalização rigorosa do legislativo garantiu que esse aumento não passasse sem o devido escrutínio.
Guabiruba quer água de qualidade e investimentos em esgoto, mas não aceita ser o caixa eletrônico de um planejamento que ignora a realidade social. A conta chegou, mas do jeito que ela foi imposta, não será recebida com tolerância.

![[VÍDEO] Moradores de Guabiruba relatam alteração na cor e qualidade da água](https://guabirubazeitung.com.br/wp-content/uploads/2026/04/agua-750x1000.jpg)





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