O asfalto da BR-040, que liga Paracatu, no interior de Minas Gerais ao coração do poder em Brasília, tornou-se nestes dias o palco de um dos movimentos mais simbólicos da direita brasileira em 2026. A chamada “Caminhada da Liberdade”, encabeçada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, não é apenas um deslocamento físico de 240 quilômetros; é um manifesto em movimento que busca dar voz a uma parcela significativa da população que hoje se sente órfã de garantias fundamentais e equilíbrio institucional.
Para o observador político atento, o ato carrega uma liturgia conservadora clássica: o sacrifício pessoal em prol de um ideal coletivo. Ao trocar o conforto dos gabinetes pela exaustão das margens da rodovia, sob o sol e o peso da jornada, o movimento tenta resgatar a conexão entre o representante e o representado. O foco não reside na figura individual do parlamentar, mas nas pautas que ele carrega na mochila: o questionamento sobre os limites das decisões do Judiciário, a defesa da anistia e a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como cientista político, tenho o dever de elucidar nossos leitores que o que se vê, neste ato, é a resposta a um vácuo de diálogo. Quando as vias institucionais de contrapeso parecem obstruídas, o conservadorismo, historicamente, recorre à base. A caminhada personifica a resistência contra o que muitos juristas e políticos de oposição classificam como um “estado de exceção” velado, onde o devido processo legal e o amplo direito de defesa são frequentemente colocados à prova. O movimento busca, portanto, reestabelecer o debate sobre a liberdade de expressão e a proporcionalidade das penas, temas que são pilares de qualquer democracia que se pretenda saudável.
A estratégia ganha corpo com a adesão de outras lideranças, como Carlos Bolsonaro e parlamentares que percebem no asfalto a oportunidade de reorganizar o campo oposicionista. Sem espaço para ufanismos vazios, que acarretariam em um revés potencialmente maior, o que existe é uma mobilização técnica e coordenada que visa mostrar ao Supremo Tribunal Federal, ao Executivo e, principalmente, à direita brasileira que a oposição não está apenas viva, mas disposta ao esforço físico para marcar sua posição.
O ápice dessa jornada ocorrerá no próximo domingo, dia 25 de janeiro. A chegada ao Distrito Federal está sendo preparada para ser um marco de recepção popular em frente ao Congresso Nacional. A valorização deste ato final é crucial: ele representa o encontro da exaustão do trajeto com a esperança de quem aguarda por mudanças. Será o momento de transformar quilômetros percorridos em pressão política real, demonstrando que o espírito de Paracatu se espalhou por todo o país.
Falando nisso, a força desse movimento está atravessando fronteiras e encontrando eco profundo em nossa região. Nas redes sociais, a mobilização é intensa: diversos moradores de Guabiruba e Brusque já confirmaram que estarão em Brasília no dia 25, encorpando o ato. O engajamento do nosso povo reforça a tradição de uma comunidade que preza pela ordem, pela justiça e, acima de tudo, pela liberdade de se manifestar e lutar pelo futuro da nação. O próximo domingo promete entrar para nossa história rescente – espero – como marco inicial de uma série de profundas mudanças, às quais nosso país precisa passar, pelo bem dos brasileiros.













