Foi divulgado pelo Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) o relatório final sobre a queda do avião monomotor na rua José Júlio Schumacher, no centro de Guabiruba, em 25 de julho de 2020.
A aeronave era pilotada por Fábio Juliano Reis (35), que tinha Alexandro Cunhago (34), como passageiro. Ambos sofreram lesões graves, mas sobreviveram ao acidente.
O relatório, divulgado em 30 de dezembro, aponta que o piloto não possuía certificado, licença ou habilitação para pilotar aeronaves, porém possuía um Certificado Médico Aeronáutico (CMA) válido. Já a aeronave possuía um Certificado de Autorização de Voo (CAV), emitido em novembro de 2010 e era registrada na categoria Privada Experimental (PET).
Conforme o Cenipa, “ao constatar que o condutor não estava habilitado, nem qualificado para a realização do voo, verificou-se que a operação transcorreu em desacordo com as regulamentações aeronáuticas em vigor. Tal fato pode implicar níveis de segurança abaixo dos mínimos aceitáveis estabelecidos pelo Estado Brasileiro”.
De acordo com o piloto, o laudo não traz preocupação, pois ele já atua como mecânico de avião há 12 anos e pilota aeronaves há nove. Segundo ele, o que ocorreu na ocasião foi um atraso na entrega da carteira de piloto, em função da pandemia de Covid-19.
“Eu fiz todos os procedimentos e quando foi para sair a carteira travou tudo. Ela não chegou na minha mão e aconteceu o acidente. Agora eu renovei e estou aguardando a carteira novamente”, explica.
Conforme Reis, após o acidente em Guabiruba, ele pagou uma multa para a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), no valor de R$ 1.050,00.
Aeronave
O relatório divulgado pelo Cenipa explica que não foi possível verificar os parâmetros de peso e balanceamento da aeronave, em função da inexistência de informações. Que por ser uma aeronave experimental, que não era obrigada a ter as cadernetas de manutenção, também não foi possível levantar a adequabilidade e a frequência das manutenções.
Os investigadores relataram ainda, que não tiveram acesso aos vales de abastecimento de combustível e que, segundo informações, houve uma falha de motor durante o voo e o condutor tentou realizar um pouso de emergência, porém, a aeronave colidiu contra um poste e sua fiação elétrica e, logo após, contra o solo. “A avaliação dos destroços, feita durante a ação inicial, apresentou indícios de que o motor não desenvolvia potência no momento do impacto da aeronave”, afirma o relatório.
Conforme o documento, a aeronave decolou do Aeródromo Fazenda Aero-Amil (SWJA), em Brusque, a fim de realizar um voo local. O acidente foi por volta das 13h30.
Voo experimental
Na semana seguinte ao acidente, Alexandro Cunhago, comentou sobre o acidente. “Era pra ser só um voo experimental. Há algum tempo eu estava interessado na compra de um avião e o Fábio me ofereceu esse modelo e eu fiquei bastante interessado e marcamos um voo experimental no dia seguinte, no sábado”, relatou.
Alexandro narrou ainda os momentos em que ele e Fábio Juliano Reis, que pilotava o avião, perceberam o problema no motor da aeronave. “De repente, eu vi que o Fábio tentou dar potência no avião e o motor não respondeu, ele tentou repetir o procedimento mais duas ou três vezes e o motor não estava respondendo e eu percebi que alguma coisa estava errada”, relembrou.
Após confirmar com Fábio os problemas no motor e a falta de respostas dos procedimentos de emergência, os dois começaram a procurar um lugar para realizar o pouso de emergência. Alexandro afirmou que estes foram os momentos de maior tensão na aeronave. “Era uma área bastante complicada, residencial com vários morros. O Fábio realizou vários procedimentos necessários e não foi possível reacionar a aeronave. Aquele era o momento mais tenso, pois a gente sabia que o avião ia cair e a gente ia se machucar. Foi quando a gente se aproximou do solo, o avião bateu com a asa esquerda na fiação e a partir daí, eu não lembro de muita coisa”, relatou.














