Há 17 anos, desde janeiro de 2004, Edevaldo Dalabeneta, 41 anos, trabalha no Corpo de Bombeiros de Guabiruba. Atualmente é cabo e chefe de socorro da corporação. Natural de Brusque, antes de chegar a Guabiruba, serviu por três meses no batalhão de Blumenau.
O filho de Osvaldo Dalabeneta (natural de Botuverá) e Márcia Reis Dalabeneta (de Brusque), é casado com a mineira Valdirene Gregorio de Oliveira Dalabeneta (40), com quem tem os filhos Guilherme Gregório (12) e Gustavo Gregorio (7). A família mora no Centro de Guabiruba.
Dalabeneta tem um vasto currículo acadêmico. Além da graduação em Ciências Biológicas, possui especialização em Gestão e Educação Ambiental e mestrado em Educação. Quando olha o que construiu na vida, sente-se feliz e realizado. Alcançou muitos dos seus sonhos: família sólida, estudo, viagens e a profissão de bombeiro.
Guabiruba Zeitung: Como surgiu o interesse por integrar o Corpo de Bombeiros?
Edevaldo Dalabeneta: Quando criança assistia filmes policiais e admirava a coragem, alegria e entrega total ao trabalho pelos policiais. Na minha infância, filmes de bombeiros praticamente não existiam, mas eles sempre apareciam como papel de fundo nos filmes policiais. Neles, minha atenção foi sendo despertada. Duas situações muito aguçaram minha curiosidade: primeira quando a guarnição dos bombeiros de Brusque, por volta de 1991, foi debelar um fogo no mato próximo de casa. A segunda em 1995 quando ocorreu um incêndio em uma residência de madeira próxima a minha queimando-a por completo: novamente a guarnição dos bombeiros de Brusque debelaram as chamas protegendo as residências vizinhas.
Minha atenção e curiosidade foram sendo direcionadas para observar a alegria com a qual os bombeiros trabalhavam. Alegria envolta em coragem, abnegação e estar sempre pronto a ajudar ao próximo. Resumindo, o mito do herói que nos é ofertado pela sociedade, o herói sempre muito destacado nos desenhos animados. E qual criança não quer ser um herói em suas brincadeiras reais e/ou imaginárias?
GZ: Como foi seu ingresso na corporação?
ED: Meu primeiro contato foi em março de 2002 quando fui convidado por uma prima (Alessandra) para o Curso de Formação para Bombeiros Comunitários de Brusque. Todas as boas lembranças da infância adormecidas voltaram à tona e fui cercado por um misto de alegria e desafios. O curso foi fantástico e queria tornar-me um bombeiro militar. Fui informado que seria necessário entrar via Polícia Militar e posteriormente realizar a transferência interna; pois fazia mais de oito anos que não havia concurso público para acesso exclusivo ao Corpo de Bombeiros. Com alegria passei no concurso e em 26/02/2003 fazia parte das fileiras da corporação iniciando o curso de formação de soldados na Polícia Militar em Florianópolis com duração de oito meses.
GZ: Na sua visão, o que é ser bombeiro?
ED: Muitas palavras podem resumir o que é ser bombeiro, como comprometimento, abnegação, empatia, cuidado, resiliência, entre tantas outras que podem ser resumidas em uma pequena frase: Ser bombeiro é gostar de atender bem as pessoas.
GZ: Como é ser bombeiro em Guabiruba?
ED: Guabiruba me recebeu muito bem. Em cidades pequenas como a nossa (pois já me sinto um guabirubense) nós bombeiros somos referência para a comunidade, estamos em casa de folga e muitas vezes somos chamados pelos vizinhos para algum tipo de atendimento. Eu, particularmente, sinto-me grato em poder colaborar com a segurança de minha comunidade/vizinhos.
Em Guabiruba, historicamente os casos clínicos foram e são nossas maiores demandas de atendimentos (aproximadamente 59%), seguindo dos: acidentes de trânsito (23%), incêndios (7%) e outros atendimentos (11%).
GZ: É possível afirmar que existem atendimentos mais difíceis que outros?
ED: Sim, há atendimentos mais complexos e outros nem tanto, mas todos necessitam do olhar atento do bombeiro para poder decidir com segurança para a vítima quais ações realizar. Dentre os atendimentos mais complexos, temos aqueles no qual nossas ações não são suficientes para salvar a vítima da morte. Já os mais prazerosos são aqueles atendimentos em que nossa ação foi decisiva para um resgate com êxito, como a reanimação cardiopulmonar de um paciente em parada cardiorrespiratória, ou mesmo, a realização de um parto emergencial.
GZ: Tem alguma ocorrência que mais marcou sua vida?
ED: Todas as ocorrências atendidas ao longo destes meus 18 anos de profissão possibilitaram e estimularam a construção continua e ininterrupta de meus saberes como bombeiro, sejam eles teóricos, procedimentais, experienciais e atitudinais. Mas, posso citar duas experiências: de uma criança que se afogou em uma piscina e que infelizmente veio a óbito. Na época, meu filho caçula tinha a mesma idade da criança e isso gerou um grande impacto psicológico para mim, principalmente quando observei o pai pedir a criança que havia falecido para que ele acordasse para que eles pudessem voltar para casa. Foi intenso, principalmente por saber que esse pai não mais poderia abraçar seu filho. Até hoje fico comovido ao lembrar desse atendimento.
Segundo, de um adolescente que estava em parada cardiorrespiratória em sua residência, no qual meu parceiro e eu de imediato identificamos a parada cardíaca e iniciamos os procedimentos de reanimação cardiopulmonar (conhecido como massagem cardíaca) com o uso do desfibrilador (aparelho que dá o choque) e após 12 choques o garoto retomou os batimentos cardíacos chegando com vida ao hospital para atendimento médico. Hoje, após o ocorrido, o garoto está bem e vivendo com seus familiares. Isso não tem preço.
GZ: Para quem deseja seguir nesta carreira, qual é a sua orientação?
ED: Primeiramente estudar e concluir o Ensino Superior. Pois, é condição indispensável para poder participar do concurso público. Em segundo, estar disposto a aprender e treinar continuamente para estar sempre apto ao desempenho de suas funções. E, em terceiro, precisa ter dentro de si alegria, abnegação e empatia; precisa necessariamente gostar de pessoas e de servi-las em suas muitas necessidades.
GZ: O senhor tem também a função de Chefe de Socorro. No que consiste essa atribuição?
ED: O Chefe de Socorro é o bombeiro responsável em organizar em conjunto com sua equipe todo o trabalho operacional durante o plantão, seja em atendimentos às emergências/urgências, quanto nas manutenções das viaturas, equipamentos e o próprio quartel. Precisa necessariamente conciliar duas importantes habilidades: a de chefia e a de liderança.
GZ: O senhor também teve participação em instruções na área?
ED: Em conjunto com outros bombeiros militares e comunitários participei na realização de três cursos de bombeiros mirins com adolescentes entre 11 e 14 anos em 2005, 2006 e 2008; dois cursos de bombeiros comunitários em 2005 e 2009; um curso de bombeiro juvenil para adolescentes entre 15 e 17 anos entre 2006 e 2012. Assim, durante estes cursos, passaram por nossas mãos aproximadamente 65 adolescentes e 30 adultos que receberam instruções que podem auxiliá-los em seu dia a dia.
Saiba Mais
Trajetória educacional:
1° ao 4º ano (1986 a 1989) Escola Padre Theodoro Becker – Bairro Bateas – Brusque.
5° ao 8º ano (1990 a 1993) Escola Feliciano Pires – Bairro Centro – Brusque.
1° ano Ensino médio (1994) Escola Feliciano Pires – Bairro Centro – Brusque.
2° e 3° anos Ensino médio (1996 e 1997) Escola Professor Honório Miranda – Bairro Centro – Brusque. Curso de Magistério.
Ensino superior incompleto: Licenciatura de Matemática por dois semestres (2000) FURB – Blumenau.
Ensino superior completo: Licenciatura de Ciências Biológicas (2007 a 2009) – UNIASSELVI – Pólo Balneário Camboriú.
Pós-graduação latu sensu (especialização): Gestão e Educação Ambiental (2010 – 2011) – AVANTIS – Balneário Camboriú.
Pós-graduação stricto sensu (mestrado): Educação (2012 – 2015) FURB – Blumenau.
Trajetória profissional:
(1994 – 2003) ZM S/A – Brusque – Metalúrgico – início aos 14 anos com carteira registrada.
(2003) Curso de Formação de Soldado na Polícia Militar de SC em Florianópolis.
(2003) Transferência para o Corpo de Bombeiros Militar de SC – Quartel de Blumenau após a formação no curso de soldado na PM.
(2004 – atual) Transferência para o quartel do Corpo de Bombeiros Militar em Guabiruba onde permaneço até os dias atuais.
(2017) Curso de Formação de Cabos. Curso realizado em Florianópolis.
Quanta saudade do tempo de Bombeiro Mirim e Juvenil. Foram 6 anos compartilhando sábados de muita corridinha mixuruca que não dá nem pra cansar, trabalhos em folha de papel almaço, rapel, APH e tanto mais. Grande ser humano. Obrigada por tudo, eterno “Soldado”. Te admiro muito!