A guabirubense Brenda Kreling da Cunha, de 25 anos, conquistou o título de Miss Tattoo Brasil 2026, levando o nome de Guabiruba para todo o país. Formada em Administração, Brenda já possui um histórico de representatividade no município, tendo sido Miss Supranational Guabiruba 2025 e Rainha da 10ª Festa da Integração, principal evento do calendário local. O concurso nacional, organizado no Rio Grande do Sul, reuniu candidatas tatuadas de diversas regiões e foi realizado de forma totalmente online. Diferente de certames com confinamento presencial, a coordenação e os jurados avaliaram materiais como fotos e vídeos enviados pelas participantes, o que exigiu que cada uma pensasse estrategicamente no que transmitir. Sobre sua relação com a arte na pele, Brenda explica: “Eu vejo a tatuagem como uma linguagem. É uma forma de registrar no corpo aquilo que me atravessou e ajudou a formar a mulher que eu sou hoje. No meu caso, as tatuagens têm significado, têm intenção e contam muito sobre a minha caminhada”.
Durante sua participação, a guabirubense destacou com orgulho as tradições germânicas da região, utilizando o Pelznickel como um dos símbolos centrais. “Algumas delas, inclusive, têm um caráter espiritual para mim. Tenho tatuagens com referências religiosas e uma em especial que carrego com muito carinho, onde está escrito ‘as raízes são as asas’. Essa frase traduz muito do que eu acredito: que a gente pode ir longe, viver novas experiências e conquistar espaços, mas sem nunca esquecer de onde veio”, afirma Brenda. Ela reforça que crescer em Guabiruba fortaleceu esse sentimento, pois “nós vivemos em uma cidade que respira cultura no dia a dia. As tradições fazem parte da nossa rotina, seja no Pelznickel, na história da Bruxa Befana, na lenda do Dragão da Guabiruba, e toda nossa herança germânica que influenciou nosso jeito de falar, nossa arquitetura e nossos costumes. São elementos que ajudam a formar a nossa identidade como comunidade e que permanecem vivos até hoje”.
Curiosidade nacional e a representação do Pelznickel
A escolha por levar a figura do Pelznickel ao concurso nacional gerou curiosidade imediata entre as demais participantes e a organização. Segundo Brenda, “a reação foi de muita curiosidade e interesse. Muitas candidatas nunca tinham ouvido falar do Pelznickel e ficaram muito intrigadas com a história e com a estética da fantasia”. Ela aproveitou o formato online para gravar materiais em Guabiruba, realizando uma releitura da fantasia típica para mostrar a tradição dentro do contexto fiel da cidade. “Assim como Guabiruba preserva e conta suas histórias através da cultura e das tradições, eu também escolhi contar a minha através da arte na pele”, compara a vencedora, que após o resultado chegou a enviar fotos extras no grupo das candidatas para explicar melhor a tradição natalina local.
A trajetória de Brenda na realeza de festas típicas também foi fundamental para a conquista do título nacional. Ela recorda que representar Guabiruba é um legado familiar, já que sua avó foi princesa e rainha em eventos na Sociedade Guabirubense. “Cresci ouvindo essas histórias e entendendo que representar vai muito além de usar uma coroa, é carregar a identidade de um povo. A experiência na realeza me fez compreender ainda mais a importância de tudo o que Guabiruba tem de mais valioso: sua cultura, suas tradições e o orgulho que a comunidade tem da própria história. E uma das coisas mais bonitas foi o carinho das pessoas. Até hoje, muitas pessoas ainda vêm conversar comigo sobre aquele momento, e isso sempre me lembra da responsabilidade e do significado de representar a cidade”, pontua.
Identidade cultural como diferencial no concurso
Para Brenda, o título de Miss Tattoo Brasil 2026 é uma forma de elevar o nome do município a novos patamares. “Talvez tenha sido justamente esse carinho que despertou em mim a vontade de ir mais longe. De continuar representando, de elevar o nível e levar o nome de Guabiruba para outros lugares. Agora, em um concurso nacional, representar Guabiruba significa levar para o Brasil a força cultural que existe aqui. É mostrar a riqueza das nossas tradições, da nossa história e da identidade que a cidade construiu ao longo das gerações. Mais do que representar a cidade, eu carrego comigo a história das famílias que formaram Guabiruba, dos nossos antepassados que trabalharam e lutaram para construir tudo o que temos hoje, e poder falar sobre isso num concurso nacional e saber que isso me trouxe o título, me mostra que estou no caminho certo”.
Brenda finaliza deixando um incentivo para as mulheres de Guabiruba e região: “Se eu puder deixar uma mensagem para outras mulheres da nossa região, é que elas não subestimem o local de onde vieram. Nossas origens são uma força. E quando a gente entende isso, percebe que é possível ir mais longe sem nunca deixar para trás aquilo que nos formou”.














