“Nos deparamos com inúmeras situações desafiadoras”, afirma diretora escolar

Conheça a trajetória da professora e mãe Luciana Voss Dallabeneta, 40 anos

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A professora Luciana Voss Dallabeneta, 40 anos, é uma das filhas dos 14 filhos do casal Orlando e Ilse Schlindwein Voss (in memorian). Casada com Paulo Dallabeneta, é mãe de Brian, 13 anos, e de Lorenzo, de 2.

Luciana é a atual diretora da Escola Básica Municipal Professora Anna Othília Schlindwein, do bairro Guabiruba Sul, local onde sempre morou. Graduada em Licenciatura de Matemática pela FURB, de Blumenau, possui Pós-Graduação em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares do Ensino. Porém, seus estudos primários foram na Escola Reunida Municipal Vadislau Schmitt no ginásio (5ª a 8ª série, na época) e o Ensino Médio concluiu na Escola de Educação Básica Professor João Boos, educandário onde hoje leciona matemática suas vezes por semana à noite.

Guabiruba Zeitung: Como iniciou sua trajetória profissional?

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Luciana Voss Dallabeneta: Iniciei desde cedo a trabalhar. Aos 14 anos, já tinha a carteira assinada como costureira. Porém, trabalhava-se na costura, revisão de peças, expedição, ou onde se fizesse necessário. Ainda cursando a graduação, no ano de 2001, tive a oportunidade de iniciar minha carreira como professora na Escola Básica Municipal Professora Anna Othília Schlindwein, com as turmas de 5ª a 8ª séries. Lecionei, ainda, por um certo período nas escolas Arthur Wippel, Germano Brandt e Carlos Maffezzolli. Em Brusque, nas escolas Georgina Carvalho da Luz e João Hassmann. Atualmente, estou na função de diretora escolar da Escola B. M. Profª Anna Othília Schlindwein em período integral e, no período noturno, por duas noites, atuo ainda como professora de Matemática na Escola E. B. Profº João Boos.

GZ: Sempre desejou ser professora? Teve alguma motivação de pais ou familiares?

LVD: Sou de uma família humilde que sempre participou ativamente da Igreja Católica, seguindo os exemplos recebidos dos pais, dando continuidade a seus filhos. Todos os domingos íamos à Igreja em família; meu pai participava da diretoria e minha mãe ajudava em tudo que era preciso. Eu, desde muito menina, fui aprendendo com o exemplo deles e me sentindo chamada a dar minha contribuição. Logo passei a servir como coroinha nas celebrações, participar da liturgia, e, ainda na adolescência, comecei a dar catequese. Foi nessa época, em que me dedicava a partilhar os ensinamentos de Jesus, de fé cristã àquelas crianças que despertou em mim a vontade de me tornar professora. E, conciliando a paixão pela matemática, passei a lecionar. Participei ainda das Missões Dehonianas em Santa Rosa/RS nos anos de 1997 e 1998. Depois de realizar e participar do crescimento espiritual de várias crianças, tive a certeza de que meu caminho era junto a Educação para ajudar a construir um mundo mais humano.

GZ: Quais são os desafios de ser professora?

LVD: Diariamente nos deparamos com inúmeras situações desafiadoras que exigem habilidades e competências que, muitas vezes, a formação profissional não ensinou e a rotina acaba ensinando. É preciso estarmos atentos à atualização de práticas pedagógicas buscando conecta-las com a realidade e a vida dos alunos; buscar formação continuada; buscar o engajamento dos alunos para que participem ativamente das atividades escolares, aumentando o interesse deles; lidar com a defasagem de aprendizado dos alunos, oferecendo alternativas de recuperação de conteúdos; lidar com a tecnologia em sala de aula que agora, com a pandemia, tem se tornado uma ferramenta indispensável à Educação.

 GZ: Como tem sido estar à frente de uma das maiores escolas da rede municipal de ensino de Guabiruba?

LVD: A Escola B. M. Profª Anna Othília Schlindwein cresceu bastante nos últimos anos e hoje atende 635 alunos, desde Pré II aos 9º anos, tendo 28 turmas. Conta com uma equipe de 63 funcionários dentre cozinheiras, serventes, cuidadores, professores e equipe gestora. Continuar à frente da escola exige muita dedicação, determinação, honestidade e responsabilidade para que todas as pessoas envolvidas trabalhem em um ambiente harmonioso e que as crianças tenham uma escola que garanta uma educação básica de qualidade para que possam alcançar seus sonhos.

GZ: Quais são as diferenças entre ser professor e ser diretor de uma unidade escolar?

LVD: Ser professor é estar focado em uma determinada sala de aula ou em algumas turmas tendo a responsabilidade de desenvolver determinados conteúdos, fazendo-os crescer e se desenvolver como pessoas críticas e dignas. Por outro lado, estar na direção é estar atento a todos os aspectos da escola desde a limpeza, alimentação, organização e motivação do corpo docente e do corpo discente, bem como incentivar a participação dos pais na rotina escolar, lidar com os conflitos e, principalmente, estar atento tanto às mudanças nas metodologias de ensino aprendizagem quanto às mudanças de comportamento da sociedade. É um desafio diário.

GZ: Como tem sido as mudanças com a pandemia da Covid-19?

LVD: Está sendo um ano de grandes desafios, readaptações e novas dinâmicas no cotidiano escolar. O retorno às aulas se deu em novo formato, respeitando a decisão dos pais: há o ensino híbrido, o remoto e algumas turmas têm o ensino totalmente presencial. No remoto, os alunos recebem e realizam as atividades totalmente pela plataforma. No ensino híbrido, as turmas foram divididas em grupo A ou B, tornando possível atender uma semana o grupo A com atividades presenciais e, na outra semana, este grupo A realizará atividades em casa e assim vice-versa. Os pais estão acompanhando mais o desenvolvimento das atividades propostas, intensificando o diálogo e o vínculo e a parceria entre escola e família. Os cuidados com a higiene, o distanciamento e o uso de máscaras são frequentes.

GZ: Com a pandemia, o ambiente escolar foi afetado de que formas? Há menos entusiasmo ou alegria sem o contato físico?

LVD: No retorno às aulas tivemos uma preocupação com os sentimentos dos alunos, além de garantirmos o cumprimento das medidas sanitárias. O isolamento social afetou a todos, daí nossa preocupação em acolher da melhor maneira.  Acolhemos a cada criança ou adolescente com uma boa conversa e com um sorriso colocando-nos a disposição para ouvi-los. Se observarmos as crianças, como elas lidam com o mundo e seus sentimentos, diria que deveríamos reagir como elas, pois assim não nos identificaríamos tanto com nossas preocupações. Estar de volta à escola, ter contato com os amigos, professores e funcionários favorece o desenvolvimento de todos.

GZ: Que mudanças a pandemia trouxe que consideras que vão ficar?

LVD: Neste tempo de pandemia, tive que, em meio a tantas incertezas, seguir em frente. Foi preciso priorizar a segurança e a saúde de cada pessoa da nossa comunidade escolar. Além disso, foi momento de demonstrar empatia, aprender a se colocar no lugar do outro.

GZ: Tem alguma situação que mais lhe marcou na trajetória como educadora?

LVD: São muitas as situações que nos marcam. Somos procurados por nossos alunos por diferentes situações porque confiam, admiram e nos têm como seus exemplos.  Não há como destacar, pois cada situação, cada momento, tem a sua importância.

GZ: Qual a importância do professor na formação de novos cidadãos e de uma humanidade melhor?

LVD: O professor é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e formativo das crianças. Penso que, em meio a essa pandemia, com todas as tecnologias ao nosso alcance, o professor continua e continuará tendo um papel primordial, porque além de toda a sua sabedoria ou conhecimento técnico, o professor tem o dom e consegue traçar estratégias de alcançar e estimular o desenvolvimento do ser humano. E professor e aluno juntos, conseguem construir conhecimento e valores indissociáveis.

GZ: Que outros aspectos você gostaria de destacar?

LVD: Agradecer a Deus por essa profissão que frente a muitos obstáculos me faz lutar e vencer cada um, me tornando mais forte e corajosa para vencer esse mundo que nos cerca.  Agradecer a minha família por me apoiar e me ajudar nessa missão, ao grupo de funcionários que diariamente trabalha sem medir esforços, à APP – Associação de Pais e Professores, as famílias que participam ativamente e um obrigada à toda comunidade da Guabiruba Sul que sempre participa do dia a dia da escola.

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