Pelznickel XI – Terra do Pelznickel: a visão do turismo de Guabiruba

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Terra do Pelznickel: a visão do turismo de Guabiruba

A tradição do Pelznickel sobrevive ao tempo e continua viva no inconsciente coletivo dos guabirubenses, preservando as condições espirituais do povo, garantindo a manutenção dos laços de identidade que unem o cidadão à história da cidade. Decorridos 158 anos desde a chegada dos colonizadores germânicos, a tradição trazida pelos imigrantes de Baden se mantém. Ano após ano, continua sendo fácil encontrar o Pelznickel circulando pelas ruas de Guabiruba no dia 6 de dezembro, dia de São Nicolau, e no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, principalmente pelo Centro e nos bairros Aymoré, Guabiruba do Sul, Imigrante e São Pedro. São apresentações espontâneas, organizadas pela própria população e muito prestigiadas.

E, recentemente, com o fortalecimento da identidade promovida pelas ações da Sociedade do Pelznickel, se observa o envolvimento crescente de crianças que já têm o sonho de ser um “pequeno Pelznickel”, e para isso elas mesmas confeccionam os seus trajes e espontaneamente participam dos desfiles pelas ruas de Guabiruba.

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Outro fato que chama a atenção é que, após a criação da Sociedade do Pelznickel e, de forma ainda mais contundente após a abertura do Pelznickelplatz, em 2012, Guabiruba começou a ser conhecida como “Terra do Pelznickel”. Crianças nascidas após essa data ou que ainda eram pequenas quando da abertura do PelznickelPlatz, ao passarem defronte do espaço onde ele está instalado, costumam se referenciar ao local como “ali mora o Pelznickel…”

Alisson Sousa Castro[i] entendeu “a criação do Pelznickelplatz como uma ação que se assemelha a outras que levam a uma museificação identitária, onde a singularidade do Pelznickel enquanto uma marca autêntica é divulgada/ofertada como produto turístico sob um padrão global homogêneo que valoriza as singularidades. E o Pelznickel, ano após ano, efetivamente vem se consolidando como um importante produto turístico de Guabiruba, e isso ficou muito claro no Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável – PDITS[ii], onde, de forma coletiva, em 2017 se chegou à seguinte visão do turismo de Guabiruba:

“Ser reconhecida nacionalmente, em 2025, como a terra do Pelznickel, um destino sustentável e diversificado, que oferece experiências memoráveis”.

No PDITS ficou claro que o destino Guabiruba possui posição de destaque na região no quesito turismo, principalmente em função de sua oferta turística natural de grande atratividade, localização geográfica privilegiada e acesso facilitado. E, somado a isso, possui um produto turístico único, que chegou à região em 1860 junto com os imigrantes germânicos: a tradição do Pelznickel.

Uma observação mais atenta ao conjunto de fatores que vem se desenrolando simultaneamente na região de Brusque indica que, com a viabilização de ações em prol do desenvolvimento e promoção turística delineadas no Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável – PDITS, Guabiruba poderá, no médio prazo, se tornar um dos principais destinos catarinenses do ecoturismo, do turismo de aventura, e cultural. E, neste quesito, a Sociedade do Pelznickel tem papel preponderante pois, ao abrir anualmente as portas do Pelznickelplatz para que comunidade e turistas possam desfrutar da sua cultura de raiz – na busca de uma conexão com o seu passado, na intenção de reencontrar suas raízes – atua de forma organizada e consistente contribuindo para manter vivas e fortalecer as tradições locais. 

Considerações Finais

Quando os imigrantes saíram da Alemanha e se instalaram na Colônia Itajahy-Brusque, o Pelznickel se vestia com trajes feitos de pelos pois no Natal na Europa é inverno, costuma ter neve e fazer muito frio. Mas, em Guabiruba, onde o Pelznickel vive no Brasil, no Natal é verão e faz muito calor. Então os Pelznickel adequaram os seus trajes para o clima tropical e hoje eles aparecem cobertos de folhas, barba-de-velho ou trapos de roupas escuras, com chifres e máscaras assustadoras e carregando correntes, chicotes ou varas, com bicos e mamadeiras pendurados pelo corpo. A indumentária dos Pelznickel mudou, mostrando que tradição e transformação são complementares entre si, e não excludentes. Mas o cerne do Pelznickel permanece o mesmo, e eles continuam ajudando a Christkind na tarefa de entregar presentes para aqueles que foram bonzinhos, bem como a amedrontar as crianças e os adultos que andaram aprontando ao longo do ano.

Na terra da guabiroba – a árvore frutífera que emprestou seu nome à cidade – e chamada carinhosamente de “Guaba” pelos seus moradores, a tradição do Pelznickel continua viva no inconsciente coletivo da gente guabirubense, garantindo a manutenção dos laços de identidade do cidadão com a sua cidade e levando ao sentimento de pertencimento, uma emoção considerada fundamental no processo de coesão social, pois evita que a cidade se transforme em “terra de ninguém”, sem defensores de sua integridade, funcionamento e beleza. E, deste modo, na “Terra do Pelznickel”, onde educação, disciplina, família e cultura sempre caminharam juntos, e fortalecidos na sua fé graças ao seu alto nível de religiosidade, adultos e crianças prosseguirão confeccionando seus trajes, participando de eventos e de desfiles. Cada um vai prosseguir sendo único, especial, pois dentro de cada um deles existe um ser humano singular, uma vez que o Pelznickel é, antes de tudo, uma identidade do povo guabirubense.

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