Alunas do ensino médio da Escola Professor Carlos Maffezzolli, localizada no bairro São Pedro, em Guabiruba, entraram em contato com o Jornal Guabiruba Zeitung para relatar o constrangimento sofrido por algumas estudantes, por conta da roupa que vestiam. Segundo as alunas, a direção da unidade escolar proíbe o uso de shorts pelas meninas em dias quentes, como os que o município registrou na última semana.
“Quando fui pra escola tava calor e nossa sala está com o ar estragado, não dá de aguentar o calor na sala e a diretora deixou outras alunas entrar de shorts. Falou que eu só entraria se botasse um short pra baixo do joelho. Eu falei que não iria por, daí ela falou que eu não iria entrar na escola. Mas o short não era curto, tinha outras meninas com o short menor que o meu”, relata uma das estudantes. “Ela falou bem assim: que depois as alunas reclamam que os professores dão em cima delas, mas quem tá errado é o professor que faz isso, não as alunas terem que trocar de roupa por causa de professor”, emenda.
Outra estudante explica: “a diretora reclamou do meu shorts. Eu sei que a escola tem regras, mas ela não deixar entrar na escola e fazer ir embora é errado isso”, diz.
Sobre o motivo da proibição do uso de shorts, a aluna explica: “Ela fala que têm alunas que depois falam que os professores dão em cima pela roupa, mas eu acho que isso não tem nada a ver. Todas merecem respeito, não é a roupa que nos define”, avalia a jovem.
Segundo as estudantes, as situações por conta do tipo de roupa ocorrem com as turmas diurnas e noturnas.
“Teve uma situação de manhã que a menina teve que ficar até às 11h30 na pracinha, pois não pode entrar na escola e mora no centro”, conta a irmã de uma das estudantes do ensino médio.
O que diz a escola?
Na noite de segunda-feira (14) a reportagem do Jornal conversou com a diretora Iara Staack Habitzreuter sobre as situações relatadas pelas alunas. As respostas aos questionamentos realizados foram encaminhadas ao jornal na noite de terça-feira (15), após reunião da APP (conselho Deliberativo) e revisão da Gered, já que o Ensino Médio é de responsabilidade do Governo do Estado.
Sobre a proibição do uso de shorts pelas alunas. A diretora respondeu que a regra existe e é para todos. “Encontra-se no regimento escolar no PPP ( Projeto Político Pedagógico), que é o documento que define as regras escolares (Seção II Dos Deveres dos Alunos Art.21, parágrafo VI)”, ressalta.
De acordo com ela, o documento foi apresentado na Assembleia de Pais e Professores realizada no dia 25 de fevereiro, onde foram apresentadas as regras e analisadas por pais e responsáveis. “O shorts continua sendo uma vestimenta inadequada para a Unidade Escolar”, afirma.
Questionada sobre o motivo da proibição do uso de shorts, a diretora explica: “Não é o traje apropriado ao ambiente escolar. Essa regra é da escola e vem desde sempre, não é de agora. A regra não foi estabelecida para este ou aquele estudante, a regra é para todos!”.
Sobre as medidas que a escola toma no caso de uma aluna estar com short e se a entrada na escola é negada, a diretora afirma que “o aluno não é impedido de assistir aula, porém é advertido por infringir a regra que os pais aprovaram na assembleia”.
Uniforme
A escola esclarece que o Estado não fornece uniforme. “O Ensino Médio tem a liberdade de confeccionar as camisetas, que são personalizadas por turmas. Pede-se que venham de calça ou bermuda”, destaca a diretora.
“Queremos deixar claro que a EEB Prof. Carlos Maffezzolli é bem-vista na comunidade. Salienta-se que os alunos são orientados a vestirem-se em conformidade com as regras da escola, aprovada em assembleia geral e encaminhada por escrito para todos os pais e / ou responsáveis. A Escola Carlos Maffezzolli tem como missão oferecer uma educação de qualidade baseada no respeito. A U.E. é referência na comunidade local contribuindo para a formação de pessoas íntegras, competentes e socialmente responsáveis”, acrescenta.
A pergunta sobre a explicação que teria sido dada às alunas sobre o um possível assédio por parte dos professores frente ao uso de shorts, não foi respondida pela diretora.
Polêmica da roupa feminina
O uso de shorts por estudantes já foi tema de debate em diversas escolas brasileiras. Em 2020, o caso em uma escola blumenauense ganhou bastante repercussão na mídia. No mês da mulher, a questão levantada pelas estudantes de Guabiruba, chama atenção pelo fato da roupa feminina ainda ser um tabu.
Para a neuropsicopedagoga, Rosmari de Souza Pereira, infelizmente vivemos em uma sociedade que “protege” o machismo e “proibe” a liberdade das mulheres de mostrarem as pernas.
“A escola pode alegar estar querendo proteger de possíveis problemas relacionados ao assédio sim. É dever da escola proteger e evitar o máximo de problemas sejam eles físicos, morais e psicológicos. Porém, o fato de responsabilizar as garotas – e as roupas que vestem – por eventuais investidas dos funcionários, ou dos alunos não deveria ser o argumento da proibição. Precisamos olhar para a educação que esses garotos estão tendo, e o bom senso que os adultos vem usando, para que não reproduzam comportamentos misóginos e machistas. E a escola, depois da família, é o lugar certo para aprender, experimentar, debater. Para treinar a empatia e o respeito”, avalia.
A especialista ressalta que meninos e adolescentes precisam aprender, desde cedo, que o corpo da mulher não é um objeto. E que uma peça de roupa não é um convite. “A resposta para possíveis casos de assédio na escola deveria vir com um programa adequado de educação sexual, que discuta as relações entre os adolescentes – e os transforme essa visão distorcida. Respeito, consentimento, bom senso, sexo e gênero, palavras tão maltratadas e mal compreendidas, devem fazer parte da rotina escolar e do combate ao assédio. É precisamente para isso que servem, é nossa obrigação orientar. Precisamos educar para sermos melhores e não manter pensamentos que desaprovam, proíbem ou naturalizam o machismo ou até mesmo o feminismo”, completa.













Concordo com a neuropsicopedagoga , mas penso que essas meninas que usam shorts podem ser prejudicadas por aquelas que usam micro-shorts, mostrando a papada da bunda. Então na minha avaliação é melhor cortar o mau pela raiz. Falo isso no âmbito escolar!
Mas é triste não poder usar um shorts.Minha nossa! É até constrangedor para as moças. Só me preocupa as que gostam de usar o micro- shorts, aí complica e MUITO! O certo era proibir o micro-shorts e deu! Coitadas das adolescentes!
As jovens têm que usar bermudas que mais parece vestimenta de velhos para elas! Desaforo! PROÍBAM só o micro .
Quem é a favor do uso do shorts fica uma única vez na frente da escola no horário da saída.. é até vergonhoso pra Quem usa
Reportagem sensacionalista, escolas virando alvo da mídia para vender mais, ridículo, cada ambiente é necessário vestimenta a rigor, escola não é lugar de exibição de corpos de ambos os sexos, nem por discentes, docentes ou visitantes.Vestimenta adequada deve ser exigida sim, a diretora está correta. Sou contra assédio, se está acontecendo deve ser investigado e tomada as devidas providências. Temos liberdade de nos vestir como queremos sim, porém cada ambiente requer o uso conforme manda o regimento. E se vestir com pudor é respeitar o próximo e você mesmo. Não vejo machismo nessa situação.
Esse jornal está desinformando a população.
Dai as pessoas são obrigadas a passar calor pq outras pessoas são pervertidas?