Empresários integrantes do Núcleo Vale das Toalhas, da Associação Empresarial de Brusque, Guabiruba e Botuverá (ACIBr), reuniram-se na manhã de quinta-feira, 26 de fevereiro, com o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, em Florianópolis. O encontro, que contou com a participação do vice-prefeito de Brusque, André Batisti (Deco), teve como pauta a carga tributária do setor e o impacto das importações no mercado têxtil.
Durante a reunião, o grupo solicitou uma avaliação técnica sobre os impostos que incidem sobre o segmento. O principal argumento apresentado pelos empresários é o desequilíbrio gerado pelo aumento da entrada de produtos vindos da China, Índia e Paquistão, além de toalhas fabricadas no Paraguai que ingressam no país sem o imposto de importação.
“Nosso Núcleo está muito preocupado com essa questão das toalhas importadas que estão chegando via Paraguai, gerando uma concorrência desleal com a indústria nacional e impactando não só as empresas da nossa região, como de toda Santa Catarina. Por isso, viemos pedir o apoio do secretário com alternativas que possam melhorar esse cenário”, destaca o coordenador do Núcleo Vale das Toalhas, Cleiton Reichert.
O vice-prefeito de Brusque reforçou a necessidade de atenção à cadeia produtiva local, destacando que Santa Catarina concentra a maior parte da produção nacional do segmento.
“Toda Santa Catarina está sendo prejudicada por essa importação de toalhas. Nosso estado é responsável por mais de 80% da produção, sendo grande parte em nossa cidade e região. Essa situação não impacta apenas os fabricantes de toalhas, mas a fiação, a tinturaria, a facção, toda a cadeia, que é completa em nosso município, e que sofre por essa importação, muitas vezes, desleal. Nos colocamos à disposição para ajudar em tudo o que for necessário para solucionar esse problema”, afirmou Deco Batisti.
Encaminhamentos e estudo de impacto
O secretário Cleverson Siewert solicitou que o Núcleo apresente um estudo detalhado sobre o impacto do segmento de toalhas na economia catarinense. Segundo ele, os dados serão cruzados com levantamentos da própria Secretaria da Fazenda para embasar futuras decisões do governo estadual.
“O setor têxtil como um todo é muito relevante para o nosso estado. Santa Catarina conta com o setor têxtil mais estruturado do Brasil, com o melhor benefício fiscal do país e, por isso, também avançamos tanto nos últimos anos”, avaliou o secretário.
Siewert explicou o procedimento que será adotado a partir de agora: “O Núcleo fará esse estudo mais objetivo, com dados do setor e aqui na secretaria também vamos fazer esse levantamento para que possamos juntar as informações e encontrar, em conjunto, soluções para esse problema dos importados do Paraguai que tanto aflige o setor. Com esse diagnóstico, poderemos encaminhar ao governador, que tomará sua decisão sobre o assunto”.
Competitividade e Reforma Tributária
Além da questão imediata das importações, a reunião abordou o planejamento do setor têxtil a longo prazo, considerando as mudanças na legislação nacional.
Os principais pontos discutidos foram:
- A organização da indústria frente à reforma tributária.
- A manutenção da competitividade do polo têxtil regional.
- O encerramento de benefícios fiscais previsto para 2032.
O vice-presidente territorial da ACIBr, Edson Ruben Müller, pontuou que o encontro serviu para esclarecer o cenário atual e planejar o futuro da indústria. “A reunião com o secretário foi muito esclarecedora. Nosso principal objetivo foi mostrar a força da indústria têxtil, principalmente do Vale das Toalhas. Também abordamos questões relacionadas à reforma tributária, principalmente sobre os benefícios fiscais que acabam em 2032 e, desde já, precisamos nos organizar para não perder a competitividade da indústria têxtil, que é um polo muito promissor da nossa cidade e região”, finalizou.













