Em meio à névoa de incertezas que paira sobre o Brasil em 2026, clareia um horizonte bem nítido para o consumidor brasileiro: gasolina, diesel e outros derivados do petróleo não vão baixar. Enquanto o mercado global aponta para uma tendência deflacionária no setor de energia, o Brasil rema na direção oposta, ancorado por uma gestão fiscal temerária e um apetite arrecadatório que beira a insensatez.
No cenário internacional, o panorama é de abundância. Instituições de renome, como o Banco Mundial e a Oxford Economics, projetam o barril de petróleo Brent operando na casa dos US$ 58 a US$ 60. O motivo é puramente técnico: uma superoferta impulsionada pela produção recorde dos EUA e uma desaceleração da demanda chinesa, cada vez mais voltada à eletrificação de sua frota. Nem mesmo as instabilidades na Venezuela ou os ruídos no Oriente Médio têm sido capazes de sustentar o preço do barril acima dos US$60. Em um mercado racional, isso significaria gasolina mais barata para o cidadão. Mas aqui não. Não no Brasil.
Aí entramos no nosso paradoxo energético. O Brasil comemora o fato de o petróleo ter superado a soja como principal item de exportação. Mas essa vitória é amarga, pois continuamos presos ao anacronismo de exportar o óleo bruto, de extração complexa no pré-sal, para importar o derivado refinado. E por que não refinamos aqui? Porque a modernização das nossas refinarias caminha a passos de tartaruga, enquanto o governo atual prioriza o uso da Petrobrás como ferramenta de contenção inflacionária artificial em vez de focar na eficiência produtiva e na expansão do parque de refino.
Mas afinal, por que o preço não vai baixar?
A resposta é vergonhosamente trágica: o governo federal já “gastou por conta”. O orçamento de 2026 foi montado sobre a frágil premissa de um barril de petróleo a US$ 63. Com a cotação real bem abaixo disso, abre-se um rombo colossal nas receitas de royalties e participações especiais. E como este governo não conhece a palavra “contingenciamento”, a solução é sempre a mesma: esfolar o contribuinte.
Assistimos a uma máquina pública cada vez mais inchada, onde o gasto com pessoal e a manutenção de uma burocracia ineficiente consomem o que deveria ser investido. Somado a isso, temos o buraco negro do INSS, cujo déficit já ultrapassa a marca de R$ 300 bilhões, e desdobramentos preocupantes no sistema financeiro, como o “caso Master”, que expõe a fragilidade das garantias em investimentos que impactam regimes de previdência estaduais e municipais.
O resultado dessa desordem fiscal respinga diretamente no seu tanque. Para compensar a falta de repasses federais e a sanha por arrecadação, vimos o ICMS sobre os combustíveis subir novamente em 1º de janeiro. Foram R$ 0,10 a mais por litro de gasolina logo na virada do ano. O governo federal tenta, via Petrobrás, “maquiar” esse aumento forçando reduções na refinaria que não se sustentam tecnicamente, apenas para evitar o desgaste político em um ano de eleições presidenciais.
Aliás, caro leitor, não se iluda: veremos, nos próximos meses, o governo utilizar todos os artifícios possíveis para segurar os preços em geral, criando uma estabilidade fictícia para seduzir o eleitor. Contudo, a física econômica é implacável. Essa conta, inflada pela irresponsabilidade fiscal, será apresentada com juros e correção. A data da fatura? O dia seguinte ao segundo turno. E quem vai pagar essa conta?













