O Dia Internacional da Mulher é, acima de tudo, uma data de gratidão. Em nossa comunidade, temos a tradição de homenagear as mulheres que são o alicerce de nossas casas, empresas e comunidades. É o momento de reconhecer a força de quem, com dedicação, move a nossa economia e preserva os nossos valores. No entanto, para além das flores e das homenagens, este 8 de março nos convocou para uma conversa urgente e necessária: a segurança daquelas que amamos e respeitamos.
Santa Catarina é um estado de gente trabalhadora e índices de desenvolvimento que nos orgulham. Mas, infelizmente, os números de violência contra a mulher ainda são uma mancha em nossa biografia. Aqui no Vale a violência doméstica não é algo distante; ela acontece ao lado, muitas vezes no silêncio de uma casa vizinha.
Vemos um aumento no número de denúncias, o que mostra que a mulher catarinense está mais corajosa e confia mais nas autoridades. Porém, não podemos aceitar que a agressão vire rotina. Casos de ameaças e lesões corporais que chegam às nossas delegacias mostram que ainda há muito agressor que acredita na impunidade e, de certa forma, com razão.
A informação é a primeira arma de defesa. Se você é vítima ou conhece alguém que precisa de ajuda, os caminhos são claros e seguros:
- 190 (Polícia Militar): Para situações de perigo imediato, quando a viatura precisa chegar na hora.
- 180 (Central de Atendimento): Para orientações gerais e denúncias anônimas.
- Aplicativo PMSC Cidadão: Onde mulheres com medida protetiva têm o “Botão do Pânico” na palma da mão.
- Delegacia Virtual: Para registrar ocorrências sem precisar sair de casa em um primeiro momento.
Temos leis modernas, como a Maria da Penha, mas a lei sozinha não tranca portas. Precisamos de punições mais severas e, principalmente, que o agressor sinta que a justiça realmente chega. O descumprimento de uma medida protetiva deve ser tratado com o rigor máximo, pois é o sinal claro de que uma tragédia maior pode acontecer.
Mas o ponto principal é a nossa postura como cidadãos. Por muito tempo, ouvimos que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Esse ditado custou e continua custando vidas. No mundo de hoje, a omissão é uma forma de conivência. Se você ouve gritos, se percebe hematomas ou nota que uma amiga está sendo isolada pelo parceiro, “meta a colher”, sim. Chame a polícia, ofereça apoio, denuncie. O silêncio do vizinho é o combustível do agressor.
Proteger as mulheres de nossa comunidade não é apenas papel da polícia ou dos juízes; é um compromisso de cada um de nós. Que este 8 de março sirva para reforçar que não aceitaremos a violência em nossa terra. Só teremos uma comunidade verdadeiramente desenvolvida quando todas as nossas mulheres puderem viver, trabalhar e circular com a segurança e a dignidade que merecem.










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