A sessão ordinária da Câmara Municipal de Guabiruba, realizada excepcionalmente nesta quarta-feira (22) em virtude do feriado, teve como pauta central o reajuste na tarifa de água e a qualidade do serviço prestado no município. O destaque do encontro foi a participação de André Domingos Goetzinger, representante da Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (AGIR), que utilizou a tribuna para detalhar os motivos da aprovação do aumento tarifário. Também acompanhou a sessão o gerente de concessão da Guabiruba Saneamento, Guilherme Marques.
O aumento na conta de água, que totaliza 13,15%, tornou-se um dos temas de maior repercussão na cidade nos últimos dias. O índice é composto por um Reequilíbrio Tarifário Ordinário (RTO) de 8,29% somado ao reajuste tarifário anual de 4,49%. De acordo com os parlamentares, a notícia do aumento causou surpresa por ter sido veiculada inicialmente pela imprensa, sem comunicado prévio direto ao Legislativo.
Durante sua explanação, André Domingos Goetzinger justificou que a decisão da agência reguladora possui fundamentação técnica e contratual, baseada em investimentos realizados pela concessionária. “São dois anos de discussão desse contrato. É um contrato complexo, de 30 anos, com um investimento alto, pesado, que ainda precisa ser feito. Eles estão ainda no começo. Tem toda a parte de esgotamento sanitário”, explicou o representante da AGIR. Segundo ele, o pedido inicial da empresa era superior ao que foi homologado. “Eles solicitaram 11 itens. O pedido original vinha com um estudo de 16%. A agência, através de fatos e evidências, foi construindo as premissas, e teve casos que a gente não concordou e refutou o pleito, como teve casos que a gente encontrou guarida jurídica para o pleito da concessionária”.
A preocupação com o impacto financeiro nas famílias guabirubenses foi ressaltada por Alfred Nagel Neto, que pontuou que “é evidente que a população, quando tem um incremento tão acentuado com a tarifa que vai pagar, ela vai se consternar e vai se preocupar. Isso impacta na parte financeira de qualquer família”. Na mesma linha, Carlos Henrique Graf da Silva mencionou a pressão recebida pelos moradores através das redes sociais. “A gente está sendo bombardeado nas redes sociais. Muita gente critica, achando que somos nós, vereadores, que conseguimos mudar a tarifa. E não é assim”, afirmou o parlamentar, esclarecendo que a decisão não passa pela votação na Câmara.
Qualidade da água
Além do valor da tarifa, a qualidade da água tratada foi o ponto mais crítico do debate. Vereadores apresentaram vídeos recebidos de moradores mostrando água com coloração amarelada chegando às torneiras. A vereadora Eduarda Schweigert enfatizou que a insatisfação geral está ligada à percepção de que o serviço não condiz com o valor cobrado. “O que eu percebo que virou o câncer dessa notícia, é que as pessoas não estão tendo um serviço de qualidade. A reclamação sobre a qualidade da água está muito grande. Tem pessoas que falam que vem com cheiro, e isso a gente vem ouvindo cada vez com mais frequência”, relatou, completando que o problema é “o fato de pagar por um serviço que não está chegando com qualidade”.
O vereador Jair Francisco Kohler também exibiu vídeos de água suja e questionou a segurança do consumo. “Essa água aqui, oferecer para a população? Eu acredito que traz risco à saúde”, disse. Ele reforçou que os parlamentares estão cumprindo seu papel de fiscalização: “Não estamos fazendo mais do que a nossa obrigação de cobrar o que a população vem nos cobrando. A população está certa”. O vereador afirmou ainda que “a empresa não está oferecendo água de graça. Está recebendo, a população está pagando. O serviço não é de graça”, e sinalizou a intenção de buscar instâncias superiores caso a situação não se resolva. “Se for para ir mais longe, eu vou. Não estou de acordo com esse reajuste. Se for para procurar o Ministério Público, para analisar essa situação, eu vou lutar pela comunidade guabirubense diante dessa situação”.

Parcelamento da revisão
Durante a sessão, Osmar Vicentini Filho questionou se haveria possibilidade de fracionar o aumento para suavizar o impacto no orçamento dos consumidores. “O povo quer entender o porquê de pagar 13% a mais, sendo que a água vem amarelada, estraga as roupas, enfim”, afirmou o vereador. Sobre a possibilidade de parcelamento, André Domingos Goetzinger explicou que, embora já tenham ocorrido casos em outras situações, o processo atual já está em fase avançada. “Quando ele pergunta se é possível, é possível. Eu só não sei se nessa fase. Já foi publicado. Teria que ser feito um estudo jurídico para avaliar essa situação. Não digo que é impossível, eu só não sei se na fase que se encontra é possível”, pontuou o representante da AGIR, reiterando que “já aconteceram parcelamentos de revisões, mas é um acordo entre as partes. Não é a agência que determina”.
“A cor está dentro dos padrões”, diz concessionária
Em entrevista após a sessão, o gerente de concessão da Guabiruba Saneamento, Guilherme Marques, atribuiu os problemas de coloração às condições climáticas recentes. “O que está acontecendo é devido às fortes chuvas que tivemos nas últimas semanas. Isso teve um impacto no tratamento da água, e foi necessário fazer alguns ajustes. Esses ajustes estão sendo realizados ao longo das últimas semanas, as equipes estão trabalhando ininterruptamente para resolver essa situação”, afirmou. Segundo o gerente, apesar da aparência visual, a água segue normas técnicas. “Em relação à cor da água, por mais que cause uma estranheza, a cor está dentro dos padrões permitidos pela legislação brasileira. Estamos trabalhando para minimizar esse impacto e reduzir mais ainda essa cor, que por mais que esteja dentro dos padrões, nosso objetivo é que seja diminuído”.
Marques declarou que a expectativa é de melhora nos próximos dias e orientou os moradores a buscarem os canais oficiais para vistorias técnicas. “A gente pede que a população, ao identificar esse problema, entre em contato com a concessionária pelos canais oficiais. Vamos mandar um técnico até o local para fazer uma verificação, dar uma descarga pontual no cavalete e fazer uma análise da água junto com o morador”. Sobre as queixas de falta de água, ele explicou que casos pontuais podem ocorrer devido às manutenções para limpeza da rede. “Pode ocorrer a falta de água também devido às descargas. Como estamos com essa questão da cor na tubulação, as equipes estão fazendo descargas pontuais. Então, dependendo do momento do dia, pode baixar um pouco a pressão na rede e ocasionar a falta d’água”, concluiu, ressaltando a importância do uso de caixas d’água nas residências para garantir a reserva necessária.











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