Fotos: David T Silva

 

O Conselho Municipal de Turismo realizou na última semana o primeiro seminário em prol da elaboração do projeto do Parque Municipal Vereador Érico Vicentini. O intuito foi oportunizar que as entidades apresentassem suas demandas formalmente à prefeitura. No ano passado, o Conselho organizou uma visita dos representantes das entidades e do Poder Público Municipal no terreno do parque.

O local, com área total de 880 mil m2, foi dividido em 14 áreas conforme projeto arquitetônico realizado pela Prefeitura, faltando definição para as áreas 1, 2, 7 e 11. De acordo com o projeto, as demais áreas serão ocupadas pelo estacionamento (3), espaço livre de gramado (4), restaurante/lagoa (5), esportes/recreação (6), vegetação (8), eventos (9) e pista de corrida (10). A área útil considerada é de 162 mil m2.

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De acordo com a presidente do Conselho Municipal de Turismo de Guabiruba (Comtur), Vanessa Dietrich Carminatti, o conselho teve a preocupação de entender o que o Executivo pretende fazer no terreno, tendo em vista a importância do parque no meio turístico. “Acreditamos que essa conversa foi de extrema importância nesse momento, onde ainda não foram finalizados os projetos, pois cada entidade pôde propor dicas e apresentar sua necessidade”, declara.

A presidente destaca também que o seminário teve envolvimento do turismo, cultura e esporte com necessidades específicas. “Há necessidades fundamentais e até bem específicas, como o pouso dos parapentes e o Pelznickel, por exemplo. Outras mais abrangentes, mas que poderão ser compartilhadas entre as entidades”, conclui.

 

Entidades 

O Comtur convidou para a reunião representantes das seguintes entidades: Associação Artístico Cultural São Pedro (AACSP), Associação Cultural Germânica de Guabiruba (ACGG), Associação de Catarinense de Intercâmbio Cultural (ACIC), Associação Cultural Italiana de Guabiruba (ACIG), Associação de Futebol Educacional de Guabiruba (AFEG),  Associação de Ginástica Rítmica de Guabiruba (AGRG), Associação Visite Guabiruba (Avigua), Associação de Ecoturismo, Preservação e Aventura do Vale do Itajaí (Assepavi), Associação de Pais e amigos dos Excepcionais (APAE), Associação Hospitalar de Guabiruba, Associação Jeep Clube, Associação de Karate de Guabiruba (AKG) Clube de Parapente do Vale (CPV), Moto Clube Dragões da Trilha, Protegendo Animais com Todo Amor (PATA) e Sociedade do Pelznickel.

Três representantes não se manifestaram durante o seminário realizado na quinta-feira (9) : Apae, Associação Hospitalar e Pata.

Demandas apresentadas pelas associações

Fernando Comandoli, representante do CPV, afirmou que o clube ficou bastante animado com a possibilidade de voltar a ter área de pouso no terreno do parque, o que já ocorria há alguns anos, já que existe área de decolagem do clube na cidade.

“O voo está com os dias contados em Gaspar, devido ao espaço aéreo do aeroporto de Navegantes. E aqui, passamos a buscar locais de pouso alternativo no Aymoré, que também vem crescendo e fica perigoso”, relata´. Segundo ele, na área do parque é possível voar até 1,5 mil metros, já que não existe rota de aviões.

Para atender a demanda do clube, Comandoli diz que é preciso uma área aberta sem postes e fios elétricos, árvores ou construções em frente à capelinha. A área que indicou como necessária, por conta do vento, é a número 3 (ver mapa), próximo ao número 4.

Representando a ACGG, Valdir Riffel, comentou que conhecida há alguns anos como escolinha de alemão, hoje integrada a Fundação Cultural, a associação (em processo de reativação), tem a intenção de montar um museu germânico para homenagear os antepassados que iniciaram a colonização. “Para mostrar aos visitantes algo sobre a nossa história, sobre os 160 anos de imigração. Não precisamos de um espaço muito grande. Pensamos em algo em torno de 400 ou 500 metros para a construção em estilo enxaimel”, defende.

Márcio Cesari, representante da AFEG, diz que a associação necessita de uma sede e um campo, que precisa ser oficial para poder receber campeonatos. “Para recebermos o Moleque Bom de Bola, precisamos de um campo oficial. Temos os troféus em caixas porque não temos onde colocar”, afirma.

O representante da AGK, Sidnei Decker, apresentou a forma como a associação tem conseguido realizar as atividades. “Hoje usamos os espaços das escolas em parceria como quadras e pátios. Não temos espaço próprio, então montamos o tatame e damos aula nesses locais com quatro professores e cerca de 160 alunos”, informa. Decker conta que os atletas participam de campeonatos municipais, do estadual e dos Jogos Abertos, mesmo sem um espaço adequado para os treinos.

“Hoje não temos sede nem sala adequada para treinamento. No parque seria interessante, não temos indicação de lugar, mas gostaríamos de uma sala de aproximadamente 150 m²”, finaliza.

Com um panorama sobre a difusão da cultura italiana, o presidente da ACIG, Amilton Stédile, comentou sobre a atual situação da associação. Ele sugeriu, em nome da associação, que o poder público possa contemplar a cultura italiana assim como as demais etnias. “Valorizar muito quem chegou por primeiro, os alemães e italianos, que construíram tudo isso, mas também lembrar das pessoas que ajudam a construir nossa cidade”, comenta.

Stédile ressalta que um espaço adequado para a cultura italiana dentro do parque teria  aproximadamente 1 mil m², e poderia comportar grupos de dança, coral e aulas de língua italiana, entre outras atividades. Ele também sugere um planejamento de manutenção para tudo o que for criado no parque.

Inscrito para usar a palavra, o presidente da Academia de Letras do Brasil/SC, Seccional de Guabiruba (ALEG), Roque Dirschnabel, comentou sobre o trabalho da academia. O imortal também afirmou que seria interessante para a academia ter um espaço nas dependências do parque, mesmo compartilhado, para a realização das reuniões, arquivamento de objetos e vestimentas. “Para desta forma, manifestarmos a nossa cultura germânica, italiana, polonesa, austríaca, além de outras que estão vindo para contribuir com a nossa cultura”, justifica.

A Assepavi, ONG que trabalha a questão ambiental em conjunto com o município, foi representada por Ivo Leonardo Schmitz, que falou da preocupação da entidade com o uso desordenado do ambiente natural do parque. “É um grande potencial e o objetivo do parque, saber que tem a questão natural preservada”, ressalta. Ele também lembra que a questão da segurança nas cachoeiras é importante e lamenta os acidentes ocorridos anteriormente. Solicita também, para que seja estudada a possibilidade, mesmo que temporária e antes das construções no parque, de um local que possa abrigar o material usado na manutenção das trilhas.

Sérgio Valle, presidente da AACSP, falou das necessidades da associação para a realização do principal projeto, que é o teatro “Paixão e Morte de um homem livre”. Segundo ele, as demandas são referentes  à cozinha, banheiros e perímetro fechado para a cobrança do ingresso, além de um piso compactado para a colocação de cadeiras para plateia.

Sérgio fala também que a estrutura precisa estar disponível de janeiro a abril, todos os finais de semana, para a realização dos ensaios e produção do cenário. Caso haja a possibilidade, ele pleiteia um espaço de depósito para os materiais da associação.

A Sociedade do Pelznickel foi representada pelo presidente Fabiano Siegel, que apresentou um breve histórico do trabalho realizado na Pelznickelplatz e a cobrança de ingresso na edição 2022. Sobre a mudança para o parque ele fala que é difícil pensar em uma área, mas sugere locais que tenham vegetação para instalação da atração. “Hoje temos um volume grande de turistas em dezembro, mas queremos ter alguma coisa montada durante o ano, para as pessoas que vêm conhecer Guabiruba possam conhecer o Pelznickel”, comenta. “Sempre pensamos em um local próprio, ou não, onde possamos fazer nosso evento, a nossa tradição para abrigar o turista que vem participar”, frisa.

Rosemari Glatz, vice-presidente da Avigua, defende que o objetivo da associação é estimular o turismo e fazer com que aconteça de forma sustentável para que todos os envolvidos ganhem com isso. “Ouvimos muito falar em tradição e cultura. A terra do Pelznickel e Paixão e Morte e todos os eventos que vem junto com tanta representatividade, mas pedimos atenção especial para o Pelznickel”, fala. Em relação ao uso de espaço no parque, ela comenta que a necessidade da associação é um local para reuniões.

O prefeito Valmir Zirke, falou dos números sobre a aquisição do terreno para a construção do parque e defendeu a sugestão do seminário, que ouviu as entidades com participação ativa na cultura da cidade.

Zirke comentou ainda que o poder público vai avaliar as sugestões das entidades para os espaços do parque e que devem haver regras. “Nossos engenheiros e arquitetos têm o trabalho de atender todos esses pedidos. E se nós atendermos todos esses pedidos, vai haver regra. Não vamos fazer um parque só de sedes. Nós temos que fazer algo que embeleze aquele local”, ressalta.

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