Foto: David T Silva

 

 

O comandante do Grupamento PM de Guabiruba, primeiro sargento Murilo Wilke, recebeu o Zeitung na última semana e fez uma avaliação sobre a segurança pública da cidade. Em cerca de 40 minutos de conversa, ele falou sobre as três novas viaturas do município, sendo uma delas comprada com recurso do Convênio de Trânsito e recebida em julho. E duas adquiridas com recursos de emendas parlamentares, agora em agosto. Deste modo, a cidade conta com seis viaturas. Com o baixo efetivo, já que neste momento 14 policiais atuam no município, mais da metade das viaturas ficam paradas. “Um policial vai se aposentar agora”, acrescenta o comandante. Confira os principais trechos da entrevista e os assuntos abordados: 

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Novas viaturas x efetivo

Nós tínhamos três viaturas e esse número dobrou, porém nossa necessidade aqui é efetivo. Tenho seis viaturas e nesse momento apenas duas na rua, ou seja, quatro paradas. Fora do horário comercial eu tenho apenas uma na rua e cinco paradas. Então, a minha necessidade maior aqui é efetivo, porque eu tenho viaturas e equipamentos, porém não temos material humano.

Previsão de novos policiais  

A previsão de entrada na Polícia Militar é via concurso público e agora somente após o período eleitoral, que será feito todo o procedimento: edital e demais fases do concurso. Pelas informações que nós temos é março do ano que vem que se inicia o curso de formação, que irá até dezembro. Como vem acontecendo há alguns anos, após o término do curso de formação, normalmente esses recém-formados vão para a Operação Veraneio. Após o término dela é feita a distribuição pelo Estado. Ou seja, provavelmente em março de 2024 podemos receber novos policiais. 

Sem expectativa 

Infelizmente, a gente não tem informação de quantos policiais virão. Lógico, a nossa necessidade é grande, mas isso vai da distribuição e dos critérios que o comando geral e o governo do estado utilizam. Para Guabiruba, o ideal seria dobrar o efetivo. Com mais oito policiais eu já consigo aplicar mais uma viatura e fazer um policiamento diferente.

Demora no atendimento  

O 190 (número de emergência da PM) é atendido em Brusque, que nos repassa as informações via rádio ou smartphone, no nosso sistema mobile. A partir do momento que a viatura de Guabiruba está ocupada, a ocorrência fica aguardando desocupar, se é possível.  Em uma ocorrência mais grave vem uma viatura de Brusque para nos apoiar. Porém, Brusque também tem um efetivo bastante reduzido. Então, muitas vezes, não tem viatura disponível. Infelizmente alguém tem que esperar. 

Índices

Os índices que utilizamos para avaliação de segurança pública são contra a vida. Nós tivemos um homicídio esse ano (caso da cachoeira), que na verdade ainda está em processo. Alguns dizem que foi acidente. Ano passado não tivemos nenhum. Em 2022 nós não tivemos nenhum roubo ou assalto (com mão armada). Tiveram furtos sim, mas diminuíram com relação ao ano passado. O último assalto foi em março de 2021. Então, considero que a segurança pública aqui em Guabiruba está muito boa, não só por causa da Polícia Militar, mas sim pela parceria que temos com o empresariado, que nos fornecem as imagens das câmeras. 

Apoio da Comunidade 

A Polícia Militar depende muito hoje do apoio da comunidade, do empresariado, do poder público. E isso funciona muito bem, nós temos uma segurança pública muito boa em Guabiruba, comparada a outros municípios. Dá para melhorar, com mais efetivo.

Trânsito

Falta conscientização dos condutores, porque nenhum carro anda sozinho, nenhuma motocicleta, nada. Cerca de 60% dos acidentes são com vítimas. E muitas vezes é por negligência, excesso de velocidade, embriaguez. Muitas pessoas se recusam a fazer o teste de alcoolemia. Algumas vias têm necessidade de melhoria? Sim, mas no geral estão muito boas e sinalizadas. Faltam algumas sinalizações, mas o órgão de trânsito está providenciando. 

Multas

O nosso maior problema hoje, além da perturbação do sossego, realmente é o trânsito, é a falta de consciência do condutor, porque ele não põe só ele em risco. Muitas vezes também danifica patrimônio de pessoas que não tem nada a ver com a história. Nós fiscalizamos bastante. Aplicamos uma média de 300 multas por mês: estacionamento, cinto, celular, recusas de embriaguez… A fiscalização é feita, porém não conseguimos estar em todos os locais ao mesmo tempo. 

Perturbação do sossego 

São ocorrências de som alto e algazarra, principalmente aos finais de semana e a noite. Nossa cidade tem bastante chácaras, sítios e pessoas que vem de fora nos finais de semana, alguns pra descansar e outros pra fazer festa. É outra situação que falta consciência. O que mais gera ocorrência é a perturbação, seguida pelos acidentes de trânsito. Não é o que mais gera boletim de ocorrência, mas o acionamento da viatura. Em alguns casos orientamos e em outros fizemos Termo Circunstanciado (TC) e apreendemos o equipamento de som. 

Violência doméstica 

Temos seis mulheres com medidas protetivas, quatro delas são de Guabiruba e duas vieram com as medidas de outras cidades. Há essa demanda, mas não é uma coisa que assuste. A Polícia Militar faz rondas para ver se o cidadão está incomodando ou está próximo da residência delas, porém nenhum dos infratores mora em Guabiruba. Não temos serviço para uma policial feminina, então não tem aquela conversa, aquela entrevista com a vítima. A gente só vai e verifica se está tudo OK. Se algo ocorrer ela aciona o 190. 

Monitoramento de câmeras 

É primordial. Os nossos índices são bons por causa disso. O monitoramento hoje facilita muito o nosso trabalho. 

Guarda Municipal 

No período que eu estou aqui, em momento algum a gente debateu esse assunto. Viria para contribuir, mas seriam custos a mais para o município. Se a gente conseguir aumentar o efetivo da Polícia Militar, ele é mais interessante do que a criação de uma guarda.

Rede de vizinhos 

Nossas redes de vizinhos são muito importantes, pois são fontes de informação. Trata-se de um programa do comando geral da Polícia Militar. É  feito um grupo em um aplicativo de celular, onde nele estará inserido um policial e ali é feita a troca de informações referente a segurança daquela rua ou daquele pequeno trecho de um bairro. Qualquer cidadão que estiver interessado pode nos procurar. Não há custo para os participantes. A única coisa que a gente solicita é que seja fixado uma placa do programa, adquirida na iniciativa privada pelos próprios participantes. Hoje temos 16 redes de vizinhos em Guabiruba e estamos com mais duas em processo de montagem.

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