Estudantes de Guabiruba que frequentam o Senac, a Uniasselvi e o IFC, em Brusque, procuraram a reportagem do Guabiruba Zeitung para denunciar uma situação ocorrida na noite de quinta-feira (30). Segundo os relatos, um grupo de alunos foi deixado nos pontos de embarque após o transporte universitário gratuito, oferecido pela prefeitura, não passar para buscá-los.
A justificativa apresentada pela empresa prestadora do serviço é que os estudantes não teriam respondido a uma enquete realizada em um grupo de mensagens, ferramenta utilizada para definir se há necessidade de o ônibus desviar a rota até as instituições. “Eles simplesmente não apareceram”, afirmou uma das alunas. De acordo com a denunciante, a falta de transporte obrigou os estudantes a buscarem alternativas por conta própria. “O marido de uma colega levou os que ficaram no Senac para o início de Guabiruba. Depois a galera se virou. A preocupação era um menor de idade que estava sem telefone. Eu nem sei como ele foi para casa, pois ele mora na Pomerânia”, relatou.
Divergência sobre a obrigatoriedade da rota
O Guabiruba Zeitung teve acesso aos prints das conversas no grupo de mensagens, onde alunos e representantes da empresa discutiram sobre o ocorrido. O sistema de enquetes é utilizado para identificar se há passageiros no Senac e na Uniasselvi. Caso não haja votos, o motorista segue direto para Guabiruba sem passar por esses pontos.
Alunos questionaram a legalidade da medida, argumentando que o trajeto deveria ser cumprido independentemente de votação, visto que a empresa é remunerada pelo poder público para realizar a rota. “De qualquer forma, o trajeto tem que passar pelo Senac e pela Uniasselvi”, afirmou uma estudante no grupo. Outro aluno reforçou: “Rota é rota. Deveria passar independente de ter gente ou não, para evitar que ocorra esse tipo de situação”.
Em resposta, o sócio da empresa, Diego Colombi, afirmou que a votação foi um acordo feito para otimizar o tempo de quem já está no ônibus. “Foi acordado fazer essa votação pois são poucos alunos e as vezes não tem nenhum aluno em determinada rota, assim fica desnecessário desviar o caminho para passar na Uniasselvi… aí por 3 meses tudo certo, conforme combinado, e no dia que vocês esquecem de fazer a votação, querem culpar a empresa”, escreveu.
Durante a discussão, o tom das mensagens subiu. Diego Colombi utilizou termos ríspidos ao minimizar o desvio do trajeto: “Grandes merda desviar 1km, você acha que vamos economizar rios de dinheiro por conta de 1km a menos?”. A denunciante afirmou que, ao questionar os responsáveis, foi maltratada. “Quando eu fui questionar os donos da empresa, eles quiseram transferir a culpa para os alunos e ainda me xingaram de ridícula e utilizaram de palavras de baixo calão”, disse ela, que pretende formalizar uma queixa na ouvidoria da prefeitura e registrar um boletim de ocorrência.

Logística e economia de recursos
Na sexta-feira (1), a conversa continuou com a participação de outro sócio, Guilherme Colombi. Ele defendeu a manutenção das enquetes, alegando ser uma prerrogativa da empresa organizar a logística para agilizar o transporte. “Temos a prerrogativa de organizar a logística da forma que melhor entendermos, visando agilizar e melhorar ainda mais o transporte quanto as rotas, horários etc. Tendo a votação como sempre foi feito e nunca deu problemas, iremos continuar dessa mesma forma”, pontuou.
Guilherme explicou que o número de alunos inscritos é superior a 300, mas a frequência diária varia entre 100 e 200 pessoas. Segundo ele, a empresa recebe da prefeitura por ônibus rodado e, embora pudesse colocar mais veículos com base no número de inscritos, opta por uma frota menor para ser justo com o dinheiro público. “A minha responsabilidade é fazer o transporte dos alunos, e a responsabilidade de vocês é informarem se irão precisar do transporte”, afirmou aos estudantes.
O debate sobre quem deve criar a enquete também gerou atrito. Estudantes relataram dificuldades com o sinal de internet nas universidades e o fato de alunos novos não conhecerem a dinâmica. Guilherme rebateu uma das alunas: “Vi aqui pelo histórico e você nunca criou uma enquete, pelo menos nas últimas semanas, então não precisa se preocupar com isso, tem outros alunos que fazem sem reclamar”. Ao final da interação, após ser chamado de “belo exemplar de empresário” de forma irônica por uma aluna, o sócio respondeu: “kkk, ridícula! Bom dia pra você também”.
Posicionamento da empresa
Procurada pela reportagem, a Colombi Turismo enviou uma nota de esclarecimento na qual reforça que o sistema de enquetes visa a eficiência do serviço e a economia de tempo para a maioria dos usuários. A empresa sustenta que segue as obrigações contratuais de oferecer transporte a todos os cadastrados, mas que a colaboração dos alunos na informação de demanda é essencial para a logística do retorno.
Confira a nota na íntegra:
A Colombi Turismo informa que nunca negou e jamais negará transporte a qualquer aluno devidamente inscrito no serviço universitário de 2026 e portando a carteirinha obrigatória.
Conforme comunicado no início do ano letivo, por meio do grupo oficial de WhatsApp do transporte, os alunos das instituições Senac e Uniasselvi que necessitam utilizar o serviço devem informar previamente sua utilização. Para isso, foi adotada como ferramenta uma enquete no próprio aplicativo, considerada a forma mais ágil e eficiente de organização.
Essas instituições contam com um número reduzido de usuários, havendo dias em que não há demanda em determinadas rotas. Dessa forma, a comunicação prévia evita deslocamentos desnecessários, contribuindo para a otimização do trajeto e permitindo que os demais alunos cheguem mais rapidamente às suas residências.
Esse procedimento já é adotado desde 2025, sempre com resultados positivos. No entanto, na última quinta-feira, dia 30, os quatro alunos que necessitavam do transporte não registraram sua participação na enquete, motivo pelo qual os motoristas não realizaram a parada nessas instituições.
Após o ocorrido, a empresa passou a ser alvo de críticas relacionadas à suposta falha na prestação do serviço. Diante disso, reforçamos que a comunicação prévia é essencial para manter a qualidade, segurança e eficiência do transporte oferecido, compromisso que a Colombi Turismo mantém há anos no município.


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