Roque Luiz Dirschnabel é advogado, pesquisador histórico e escritor. Natural de Guabiruba, nasceu em 21 de agosto de 1956. Filho de comerciante e político, é neto de Henrique Dirschnabel, que foi prefeito de Guabiruba de junho de 1962 (a posse se deu no ato de instalação do município) a 31 de janeiro de 1963.
Roque ingressou na vida pública como assessor jurídico da Prefeitura e Câmara Municipal de Guabiruba em 1983. Assessorou juridicamente por mais de 30 anos o Sindicato dos Comerciários de Brusque (SEC) e, juntamente com a esposa Miriam e as filhas Ingrid, Karoline e Brigitte, administra os negócios da família: uma farmácia (Farma-Plus), uma loja de multimarcas (Dürr-Quelle), além de uma marcenaria (Kohler & Dürrschnabel) com o genro Rhael Kohler.
O advogado já publicou diversos artigos na Revista Notícias de Vicente Só, como “Guabiruba 50 anos de emancipação” (2012), “Rodovia SC-420 Uma história de séculos” (2014), “Barão Maximilian von Schneeburg” (2018) e retratou momentos históricos no Informativo da Câmara Municipal, além de ser colunista do Guabiruba Zeitung, jornal em que publica periodicamente seus artigos.
Em fevereiro deste ano, Roque foi homenageado na Câmara Municipal de Vereadores pelos seus 37 anos de contribuição no setor público guabirubense.
Nesta semana, você conhece um pouco mais do advogado, que é sócio fundador da Associação Catarinense de Intercâmbio e Cultura (ACIC), presidente da Associação Cultural e Ambiental von Sternthal (ACAvS) e da Academia de Letras do Brasil/SC, Seccional de Guabiruba (ALEG), além de socio fundador do Clube Esportivo 10 de Junho e presidente do Conselho Editorial do Museu Casa de Brusque.
GZ: Que fatos marcaram sua trajetória nas quase quatro décadas no poder público?
RLD: Como assessor jurídico da Prefeitura e da Câmara, ficou marcado para mim a colaboração na proposição de leis nas áreas de preservação do patrimônio histórico, cultural e arquitetônico de Guabiruba. A coordenação dos trabalhos para a elaboração da Lei Orgânica do Município (1990) foi uma experiência muito gratificante, pois tive a oportunidade de contribuir com o aperfeiçoamento da legislação nas mais diversas áreas e aspectos socioeconômicos. Na verdade, a minha participação nos trabalhos legislativos ao longo desses anos foi um grande aprendizado. Sentimos as mudanças que ocorreram desde as primeiras reuniões, que eram realizadas numa sala da prefeitura, onde todos ficavam de frente ao redor de uma mesa. A transferência da Câmara de Vereadores para a sede própria foi um grande passo. Acompanhamos a informatização dos trabalhos legislativos, tudo contribuiu significativamente para uma maior independência do Poder Legislativo Municipal. Muitas outras situações poderiam ser destacadas, mas neste breve espaço não temos como contemplar todas.
Guabiruba Zeitung: Como o senhor se sentiu sendo homenageado de surpresa na Câmara Municipal de Vereadores?
Roque Luiz Dirschnabel: Não esperava por esse momento, mas foi muito gratificante. Na ocasião, compartilhei a homenagem com muitos outros servidores que não tiveram a mesma oportunidade de serem reconhecidos pelo seu trabalho.
GZ: Como foi sua formação escolar?
RLD: Iniciei os estudos aos sete anos no Grupo Escolar Professor João Boos e cursei o Ginásio Ministro Raul Schaeffer (Guabiruba). Fiz o Científico no Colégio São Luiz (Brusque) e graduação em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com habilitação específica em Direito do Trabalho e especialização em Direito Administrativo.
GZ: De onde surgiu o interesse pela história do município?
RLD: Bem, desde muito cedo ouvia as histórias contadas pelas pessoas mais antigas sobre a nossa colonização e, sobretudo, fatos e acontecimentos que despertaram a minha curiosidade. Então, comecei a pesquisar e me aprofundar sobre a nossa identidade cultural, e cada vez mais a história de um modo geral passou a fazer parte do meu cotidiano.
GZ: Com quais prefeitos trabalhou diretamente no Executivo?
RLD: Informalmente, ainda como estagiário de direito, com o prefeito João Baron (de saudosa memória), no início da década de 1980. Logo depois, fui contratado como assessor jurídico da prefeitura Municipal pelo prefeito Guido Antônio Kormann. Na continuidade, atuei como assessor jurídico dos prefeitos Valério Luiz Maffezzolli e Orides Kormann.
GZ: Qual o objetivo das entidades que preside: Associação Cultural e Ambiental von Sternthal (ACAvS) e Academia de Letras do Brasil/SC, Seccional de Guabiruba (ALEG)?
RLD: Meu propósito sempre foi de contribuir para o desenvolvimento das atividades socioculturais e literárias do município, especialmente com relação ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, visando garantir uma melhor qualidade de vida e oportunizar os nossos talentos artísticos, tendo em vista a nossa rica cultura local.
GZ: Recentemente o senhor escreveu um artigo sobre o barão Maximilian von Schneeburg publicado no livro Anuário Notícias de Vicente Só. No dia do lançamento também foi apresentado o retrato do barão. Como foi realizar essa pesquisa e encontrar a obra?
RLD: Tive a oportunidade de escrever o artigo de capa sobre a trajetória de vida do barão Maximilian von Schneeburg, fundador e primeiro administrador da Colônia Itajahy de 1860 a 1867. Durante as pesquisas, encontramos em um link no site da Fundação Cultural Catarinense a existência do retrato de Schneeburg no Museu Histórico de Santa Catarina (MHS), em Florianópolis. A descoberta inédita do retrato foi um marco histórico para Brusque e região. Com o lançamento do livro, que ocorreu em 27 de fevereiro, também foi descerrada a imagem do barão perante a comunidade, autoridades e imprensa.
GZ: O senhor está reformando uma casa antiga na rua 10 de junho, no centro de Guabiruba. De quem era a residência e quais os objetivos para o local?
RLD: É verdade, estou reformando a casa comercial que pertenceu ao meu pai. Este, por sua vez, herdou o comércio do meu avô Henrique Dirschnabel, que iniciou suas atividades comerciais na década de 1930, quando a construção ainda era de madeira, sendo uma “venda de secos e molhados”, onde se vendia de tudo, possuindo um espaço para jogos e uma cancha de boccia nos fundos. Por ser uma referência histórica para a cidade e, principalmente, por preservar a memória da família, resolvi restaurar a construção. Quando o comércio pertencia ao meu pai Envino, na década de 1970, foi aberta a primeira loja de tecidos no lugar da venda, além de possuir uma fábrica de vassouras em anexo. Por isso, o restauro é uma forma de preservarmos a memória da família e como parte da história do município.
GZ: O que viu de Guabiruba que jamais esquecerá?
RLD: De Guabiruba podemos destacar a determinação de um povo humilde e trabalhador, que por meio do seu esforço e empreendedorismo construiu uma cidade pujante e acolhedora.
GZ: Uma mensagem que gostaria de deixar aos leitores.
RLD: Seja você mesmo, autêntico, com o firme propósito de alcançar os seus objetivos, sem perder a dignidade que é a essência do ser humano.
Excelente entrevista
Grande Primo …continue com este trabalho de Pesquisa …