Se Guabiruba pode comemorar a recuperação da Covid-19 por seu Arno Debatin, idoso de 90 anos, também foi o município a registrar a primeira morte da região pelo novo coronavírus. Após 16 dias internado, Genésio Schweigert, 71 anos, faleceu às 8h30 de segunda-feira (11) no Hospital Azambuja, deixando a esposa Iria Maria, 68 anos, o filho Alecksandro, 44, e a neta Poliana, 19.
O sofrimento da perda ficou ainda maior por não poder se despedir do seu ente querido, já que os sepultamentos por Covid-19 seguem determinações muito rígidas. “Foi muito difícil. Muito duro. Nem os parentes, nem os irmãos, ninguém poder ir. É muito triste”, emociona-se Iria Maria. “O caixão veio com a funerária, direto no cemitério, o padre fez uma oração. Tudo muito rápido”, complementa o filho Alecksandro.
A pandemia que assola o mundo, também aqui, de um jeito ou de outro, vai moldando a vida de muitos guabirubenses. Alguns sentem os efeitos temporariamente do novo coronavírus, enquanto outros sentirão para o resto de suas vidas.
A Covid-19 na família Schweigert
Genésio Schweigert era aposentado e ajudava na IRGE Noivas, localizada na rua 10 de Junho, loja que leva o início do nome dos dois (IR, de Iria e GE de Genesio). O casal abriu a loja na década de 1980, quando Iria começou a alugar vestidos. O primeiro vestido a alugar foi o dela mesmo, o do seu casamento. Antes, trabalhava com salão e o marido na empresa Schlosser.
Iria e o filho Alecksandro contam que a saúde do patriarca era debilitada. O diabetes o acompanhava há onze anos, o que lhe causou a amputação de dedos dos pés. Problemas com a pressão arterial e arritmia também o faziam ir ao hospital com certa frequência.
Desta vez, Genésio passou mal, mas não queria ir ao hospital, embora a esposa insistisse. No domingo, 26 de maio, ele acordou melhor e aceitou ir à tarde na Associação Hospitalar de Guabiruba. “Ele desceu as escadas aqui de casa e entrou no carro”, conta o filho.
Iria ressalta que na Associação Hospitalar a médica identificou que ele tinha dificuldades para respirar e o colocou no oxigênio. Também falou que iria acompanhá-lo até o Hospital Azambuja. “A gente foi na frente. Esperamos das 15h até às 21h para ter notícias. Faltava cinco para as nove quando o médico chamou a gente dentro e falou que ele iria ficar internado. Ele pediu para eu ligar as duas horas no dia seguinte”, frisa Iria.
No dia seguinte, ela foi até lá. “Fiquei até as cinco e meia e ninguém veio falar nada. Na terça-feira, a moça disse para eu chegar às 11h. Na quarta-feira fui de novo. A médica disse que ele respirava mais pesado e que precisava ir à UTI. Chegou de tarde, às 14h, ligaram de lá e pediram os telefones para nós. Passaram ele para a gente ver como ele estava. Caiu as lágrimas nele. Essa foi a última vez que a gente viu ele”, lamenta Iria.

Desde então, esposa e filho o viam pelo vidro. “Ele já estava todo cheio de aparelhos. Já estava inconsciente”, relata.
Genésio ficou 12 dias na UTI do Azambuja. “Num dia diziam que tava bem, no outro que a arritmia tava alta”, pontua.
Na segunda-feira (11), às 10h, Iria chegou para a visita. Foi ali que ela soube do falecimento do seu esposo. “Eu disse que não estava entendendo. Que não entendia onde esse homem pegou isso (vírus). Ele estava só dentro de casa, saiu uma vez. Foi pra Brusque, só se foi ali”, indaga-se Iria.
Esposa e filho fizeram o exame e testaram negativo para Covid-19. “Eu estava em contato com ele direto”, diz Iria, não entendendo como não foi afetada pelo vírus e o marido sim, embora pontue que o companheiro tinha a imunidade mais baixa.
Iria considera que foi avisada tarde do falecimento do esposo. Até sair do hospital e chegar em casa já passava das 14h, e às 16h o caixão estava no cemitério para ser enterrado. “Não pode ver o rosto nada, é muito ruim. Muito duro”, diz o filho, apesar de entender a gravidade. “A gente se conforma pelo que ele passou no hospital. Mas a gente gostaria de um enterro normal. É duro”, revela.
A fé e as mensagens de conforto têm dado alento à família. Mãe e filho encontram força um no outro para seguir a vida, apesar da dolorosa marca deixada pela Covid-19.






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