Pelznickel Parte V – São Nicolau, seu ajudante Ruprecht e o Pelznickel

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Walter F. Piazza (1960) escreve que o dia de São Nicolau é comemorado em 6 de dezembro pela Igreja Católica. E por isso as comemorações ligadas ao Pelznickel em Guabiruba também iniciam sempre no dia 6 de dezembro. De acordo com Piazza, São Nicolau nasceu em Petara, cidade de Lícia, na Ásia Menor, filho único de pais piedosos. Seu tio, também chamado Nicolau, era Arcebispo de Mira. Desde o primeiro instante de sua vida, São Nicolau estava voltado para o céu: ao primeiro banho, pôs-se de pé no recipiente onde o banhavam e levantou os olhos para o céu, e, tendo bom apetite durante os demais dias da semana, nas quartas e sextas-feiras só aceitava as mamadas após o escurecer do dia. E assim, voltado para o céu, cresceu, tornou-se homem piedoso, amigo das crianças, dos estudantes e dos marinheiros, e um dia foi elevado ao Episcopado de Mira.

A razão de São Nicolau ser considerado o patrono das crianças se deve a vários fatos da sua vida, guardados na tradição oral. Ora diz-se que ele ressuscitava pobres crianças trucidadas por um açougueiro, ora que salvava estudantes ameaçados por policiais ou já sacrificados pela fúria real. Ou por seu ato no caso de um pai, que não possuía bens para constituir os dotes de suas filhas, e queria que, para tal fim, elas se prostituíssem e São Nicolau, ainda jovem, que ficou sabendo da situação da família, jogou pela janela da casa das três jovens uma quantia suficiente para os três dotes. Ou, ainda, por ter repartido com os pobres e necessitados a grande fortuna que possuía (Piazza, 1960).

Piazza nos informa que, para aguardar a passagem de São Nicolau no período natalino na região de Brusque e Guabiruba, algumas famílias costumavam colocar pratos na janela, ou nas mesas, para que fossem enchidos com guloseimas. E, esperando a visita de São Nicolau, as crianças cantavam:

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Nikolauskomm, machmichfromm,Dassich in den Himmelkomm!”

Traduzindo, a canção significa:

“Vem, São Nicolau, faz-me piedoso, para que eu entre no céu”.

Outras vezes o São Nicolau passava e, do centro da rua, ia atirando, pelas janelas e portas abertas, nozes, amêndoas açucaradas, balas, doces secos, etc. Ainda de acordo com Piazza, a imagem de São Nicolau, comumente venerada na Europa Central e Nórdica, é de um bispo, com mitra a cabeça e báculo na mão. A legenda popular regional, entretanto, o representa acompanhado, no dia da distribuição dos presentes (Dia de São Nicolau), de um criado chamado “Ruprecht”, a quem por aqui o povo apelidou de “Pelznickel”.

O alemão Alois Riffel (2018) conta que em Karlsdorf (região de origem de muitos imigrantes alemães que colonizaram Guabiruba) “durante muito tempo era comum o São Nicolau aparecer no dia 6 de dezembro, acompanhado do seu servo ‘Ruprecht’. Os dois visitavam e davam presentes para as crianças no dia de São Nicolau”. Segundo Riffel, “o servo Ruprecht não era um homem assustador como o Benzenickel (ou Pelznickel, no Brasil), mas apenas o servo do Santo Bispo. Às vezes ele trazia nas mãos uma vara ou ‘molho de galhos secos’, mas ele realmente não machucava ninguém”.

No entender do povo, ao criado de São Nicolau, “Ruprecht”, compete amedrontar as crianças e, às malcomportadas, ameaçar de castigo, caso não se emendem até o Natal. Numa analogia, em Guabiruba também existe o personagem “Ruprecht”, conhecido como o “Homem do Saco” (Sackmann, do PelznickelPlatz) e, dentre os relatos atribuídos ao Ruprecht, consta que foi dele que saiu a imagem do Papai Noel que conhecemos na atualidade, numa adaptação do personagem desenhado por Thomas Nast no final do século XIX.

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